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Leonardo Oliveira, maquiador profissional de 29 anos, vive

Leonardo Oliveira, maquiador profissional de 29 anos, vive
  • Publishedjunho 29, 2026

Leonardo Oliveira, maquiador profissional de 29 anos, vive em Mindelo, em Cabo Verde, onde encontra segurança para expressar sua homossexualidade em um contexto africano marcado por leis repressivas contra a comunidade LGBTQIA+. Desde 2004, a homossexualidade é legal no país, que é considerado o mais acolhedor da África para pessoas LGBTQIA+, segundo o índice Equaldex.

Cabo Verde proibiu a discriminação no emprego com base na orientação sexual desde 2008. O arquipélago contrapõe-se a muitos países africanos, como o Senegal, onde leis recentes aumentaram penas para relações homossexuais. Atualmente, mais de 30 países africanos mantêm punições severas contra pessoas LGBTQIA+.

Na maior parte do arquipélago, a ilha de São Vicente, especialmente a cidade de Mindelo, abriga a maior comunidade LGBTQIA+ local. O ambiente de tolerância possibilita que pessoas como Leonardo, conhecido como “Léo”, vivam sua identidade com mais liberdade. Para ele, a maquiagem é uma forma de expressão e transformação que reflete sua paixão pela feminilidade.

Um episódio ocorrido no final de maio em Mindelo exemplifica essa abertura. A peça teatral “Font Flip is Burning” foi apresentada durante duas noites, abordando os desafios enfrentados por travestis no bairro de Fonte Filipe, com temas como rejeição familiar e violência homofóbica. Os atores, entre eles Walter Pires, professor e artista de 37 anos, afirmam que a comunidade LGBTQIA+ tem conquistado avanços após anos de conscientização.

Walter destaca que as novas gerações demonstram maior respeito e aceitação, embora reconheça que no passado muitos sofreram abusos, incluindo expulsões do convívio familiar e demissões. Essa realidade está presente na experiência de Sindji Cawinny, transgênero de 29 anos, que abandonou um emprego após discriminação e agora atua em eventos e aulas de passarela para concursos de beleza.

Apesar das dificuldades, Sindji admite que a vida profissional se torna mais viável quando se apresenta com uma aparência mais alinhada ao gênero masculino, sinalizando que desafios ainda persistem para pessoas transgênero em Cabo Verde. O país, porém, segue como um exemplo na região, ao oferecer um espaço de relativa segurança para a comunidade LGBTQIA+ em comparação ao restante do continente.

A posição de Cabo Verde como refúgio reflete mudanças sociais graduais e esforços de ativismo que têm ampliado o respeito aos direitos humanos no arquipélago. Ainda que não isento de preconceitos, o ambiente atual contrasta com o endurecimento das políticas homofóbicas em outras nações africanas.

Assim, o arquipélago destaca-se como um cenário singular no continente, demonstrando que avanços legais e culturais podem criar condições mais favoráveis para a diversidade sexual, mesmo diante de um contexto regional muitas vezes hostil.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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