As ações da Braskem caíram quase 12% nesta quinta-feira (18)

As ações da Braskem caíram quase 12% nesta quinta-feira (18) em decorrência das dificuldades para avançar na reestruturação da dívida e dos novos riscos judiciais relacionados ao desastre socioambiental em Maceió, Alagoas. A companhia e o acionista controlador IG4 Capital enfrentam resistência de credores à proposta de reestruturação extrajudicial, comprometendo a estabilidade financeira da petroquímica.
Por volta das 14h35, os papéis da Braskem eram negociados a R$ 7,67, com queda de 8,36% no dia e atingindo, em momento do pregão, a mínima de R$ 7,40, menor nível intradia desde dezembro de 2023. Em março, as ações chegaram a R$ 13,78, valor que reflete a máxima do ano.
Analistas do UBS BB apontam que a empresa enfrenta um cenário financeiro desafiador no curto prazo, com incertezas sobre a capacidade de administrar as obrigações imediatas. Apesar de o setor petroquímico apresentar margens mais favoráveis, essas dúvidas devem continuar provocando oscilações nas ações da Braskem.
Fontes consultadas pela agência Bloomberg informaram que parte dos credores não aceita os termos da proposta da Braskem, argumentando que estes favorecem determinados grupos em detrimento de outros. Houve ainda questionamentos sobre as garantias apresentadas e a ausência de alternativas que permitam a conversão de parte da dívida em participação acionária.
Por outro lado, fontes ouvidas pela revista Veja ressaltam que a empresa descarta um pedido de recuperação judicial e mantém negociações visando um acordo extrajudicial com os credores. O conselho de administração da Braskem foi autorizado, em recente reunião de acionistas, a deliberar sobre um pedido de recuperação extrajudicial ou judicial em casos urgentes, além de poder avaliar a confissão de falência.
No campo jurídico, a Justiça Federal em Alagoas tornou a Braskem e ex-dirigentes réus num processo que investiga as responsabilidades pelo rompimento da mina 18, que causou danos sob a lagoa Mundaú. O incidente provocou o afundamento do dique e gerou implicações socioambientais na região.
Os analistas do UBS BB ressaltam que as decisões judiciais podem aumentar os riscos para investidores, tanto do ponto de vista financeiro quanto da imagem da empresa. Eles apontam que, embora haja possibilidade de superação dos desafios no médio e longo prazo, o caminho para soluções de liquidez permanece incerto e pode trazer diluição para acionistas minoritários.
A Braskem encara, assim, uma conjuntura que envolve pressões financeiras junto aos credores, riscos legais crescentes e impactos reputacionais em meio às consequências do desastre em Maceió. A evolução desses fatores deverá continuar influenciando o desempenho das ações e a estabilidade da companhia nos próximos meses.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com