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Após o empate por 1 a 1 entre

Após o empate por 1 a 1 entre
  • Publishedjunho 16, 2026

Após o empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026, jogadores e técnico Carlo Ancelotti atribuíram o desempenho abaixo do esperado à ansiedade, evidenciando como a pressão emocional afeta a performance. Esse fenômeno, recorrente no esporte de alto rendimento, também tem impacto semelhante entre profissionais no ambiente corporativo, onde a avaliação constante e a pressão por resultados geram efeitos psicológicos e físicos.

Durante a Copa, a ansiedade não se manifesta apenas nos momentos de jogo, mas acompanha os atletas desde os treinamentos até os bastidores. Danilo e Ibañez, laterais da seleção, confirmaram que a pressão emocional dificultou a concentração e a tomada de decisão. Essa realidade extrapola os estádios e reflete o cenário profissional atual, no qual milhões de trabalhadores enfrentam cobranças contínuas, medo de falhar e dificuldades para desconectar da rotina.

Especialistas apontam que, enquanto no esporte de elite a preparação psicológica é parte integral do treinamento e do desempenho, nas empresas a saúde mental muitas vezes é abordada apenas após o surgimento de problemas. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), vigente desde 26 de maio, busca ampliar a prevenção de riscos psicossociais, incluindo sobrecarga e assédio, mas a aplicação ainda é limitada.

Dados dão dimensão ao problema: o Work Relationship Index, da HP, mostra que apenas 29% dos profissionais estão na “Zona Saudável” do trabalho, enquanto 34% já apresentam desgaste emocional significativo. No Brasil, 71% dos trabalhadores afirmam que as exigências aumentaram no último ano. Em 2025, o Ministério da Previdência Social informou mais de 546 mil concessões de benefícios por incapacidade temporária relacionadas a transtornos mentais, com ansiedade e depressão liderando os afastamentos.

O pesquisador da USP Gustavo Drago explica que a resposta à pressão varia conforme a percepção do indivíduo. Em estudos com atletas olímpicos, observou que o mesmo ambiente pode ser interpretado como ameaça ou estímulo, desencadeando reações biológicas diferentes, como variações nos níveis de cortisol e testosterona. Esse conceito do “cérebro preditivo” ajuda a entender porque profissionais em condições semelhantes apresentam níveis distintos de estabilidade emocional e desempenho.

Quando o cérebro percebe o ambiente como ameaça constante, ocorre um deslocamento de recursos mentais para autoproteção, prejudicando atenção, criatividade e tomada de decisão. Essa resposta fisiológica favorece comportamentos defensivos, como procrastinação e perfeccionismo, que comprometem o rendimento. No esporte, isso pode gerar hesitação em momentos decisivos; no trabalho, profissionais capacitados podem ter desempenho comprometido sob pressão.

Thiago Brehmer, sócio-líder de Auditoria da CLA Brasil, destaca que estruturas organizacionais intensificam a sensação de avaliação permanente e metas de curto prazo. Culturas corporativas que veem o erro como falha pessoal agravam a ansiedade e a insegurança. A hiperconectividade ampliou essa pressão, tornando a cobrança constante através das redes sociais e métricas digitais uma nova realidade para atletas e trabalhadores.

Apesar das semelhanças, o esporte utiliza preparação estratégica para lidar com a pressão, incluindo técnicas de visualização, controle emocional e foco. Essas ferramentas reduzem a imprevisibilidade e ajudam a tornar o ambiente mentalmente mais familiar. No mundo corporativo, essas práticas têm sido adotadas de forma menos sistemática, ainda que com potencial para melhorar a resposta à pressão.

Frustrações amplificam os efeitos da pressão em ambos os contextos. Para Drago, o risco está na identificação pessoal com o desempenho, que pode transformar um insucesso em sentimento de incapacidade. No esporte, a convivência com derrotas é parte da formação; no ambiente corporativo, a cultura ainda privilegia o sucesso imediato em detrimento da evolução contínua.

O descanso também é tratado de modo diferente. No esporte, a recuperação é parte da estratégia para manter o rendimento e prevenir o burnout. Já no trabalho, prevalece a associação entre produtividade e disponibilidade constante, agravada pela dificuldade de desconexão. Esse cenário favorece o estado prolongado de alerta, que traz riscos como ansiedade, insônia, queda de concentração e exaustão emocional.

Especialistas concordam que a performance sustentável depende não apenas da pressão, mas de fatores como confiança, autonomia, segurança psicológica e senso de pertencimento. Esses aspectos, consolidados no esporte de alto rendimento, ainda estão em desenvolvimento no ambiente corporativo, que deve aprender a equilibrar cobrança e cuidado emocional para melhorar o desempenho e o bem-estar dos profissionais.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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