A complexidade geopolítica e o formato transfronteiriço da C

A complexidade geopolítica e o formato transfronteiriço da Copa do Mundo de 2026 afetaram a contratação de seguros para o evento, que será disputado entre Estados Unidos, Canadá e México a partir de 11 de junho. Corretores e seguradoras apontam que estes fatores aumentaram os desafios para coberturas contra cancelamentos, interrupções e riscos relacionados a violência política e ciberataques.
A Copa do Mundo da Fifa de 2026 terá um recorde de 48 seleções e partidas distribuídas em 16 cidades, sendo 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá. Este é o primeiro torneio realizado simultaneamente em três países, o que trouxe dificuldades para operadores do mercado segurador que precisam gerenciar coberturas multicêntricas.
Seguros comerciais para o evento são adquiridos pela Fifa, comitês organizadores locais, sedes das partidas, e também por emissoras, empresas de hospitalidade e hotéis, com a maior parte das apólices contratadas no mercado de Londres. Estes seguros geralmente cobrem o cancelamento, abandono ou interrupção dos jogos, incluindo opções específicas para não comparecimento de equipes devido a incidentes como acidentes ou doenças.
A complexidade do fornecimento desses seguros cresceu devido ao aumento dos riscos na região. Ocorrências como tensões trabalhistas no México, violência por parte de cartéis e os impactos indiretos da guerra no Oriente Médio influenciaram a adoção de coberturas contra violência política e terrorismo, que passaram a ser mais requisitadas. O fato de o torneio ocorrer em três países também gera desafios nas apólices, pois incidentes em uma nação podem afetar as atividades em outras, dificultando o acionamento correto das coberturas.
Além dos riscos tradicionais, a cibersegurança despertou atenção especial. Apólices padrão de cancelamento de eventos frequentemente excluem riscos cibernéticos, já que esse tipo de risco é classificado como sistêmico e restrito pelo mercado de contingência. Porém, seguradoras recomendam que cada situação seja avaliada individualmente para considerar possíveis riscos digitais, especialmente após experiências recentes com pandemias e aumento de ataques online.
O valor econômico estimado para a Copa é de até US$ 40,9 bilhões gerados para o Produto Interno Bruto, segundo estudo conjunto da Fifa e da Organização Mundial do Comércio. Ainda assim, a alta nos custos dos ingressos e a incerteza gerada pelo contexto geopolítico podem impactar a presença dos torcedores. Um relatório da associação americana de hotéis indicou que 80% dos entrevistados relataram reservas abaixo das expectativas nas cidades-sede.
O torneio terá seu jogo de abertura no Estádio Azteca, na Cidade do México, onde o México enfrentará a África do Sul, repetindo a partida inaugural da Copa de 2010. O evento servirá como uma referência para o mercado segurador avaliar a evolução das necessidades de cobertura em grandes eventos esportivos diante dos riscos políticos, cibernéticos e transfronteiriços.
Em resumo, o cenário complexo da Copa do Mundo de 2026 exige uma oferta de seguros mais detalhada e adaptada, considerando múltiplos riscos e jurisdições. As seguradoras estão em processo de ajustar suas apólices para responder aos desafios impostos pela geopolítica atual, enquanto organizadores e parceiros buscam garantir a realização das partidas com suporte financeiro e operacional adequado.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com