Economia

Nos últimos anos, processos seletivos no Brasil passaram a i

Nos últimos anos, processos seletivos no Brasil passaram a i
  • Publishedabril 25, 2026

Nos últimos anos, processos seletivos no Brasil passaram a incluir etapas automatizadas que eliminam currículos pelo uso de inteligência artificial (IA), dificultando o avanço mesmo de candidatos qualificados. A mudança no método de triagem ocorre em um cenário de alta concorrência e aumento do número de candidatos por vaga, o que reforça a necessidade de ser visualizado pelos sistemas antes da análise humana.

Ferramentas de IA são usadas para organizar e priorizar perfis de acordo com critérios definidos, antes mesmo da revisão por recrutadores. Essa prática faz com que muitos candidatos não recebam retorno, embora cumpram requisitos tradicionais como formação e experiência. Para os profissionais, não basta apenas estar qualificado; é fundamental conseguir passar pela filtragem automatizada.

A engenheira de produção Samanta Santos relata que, apesar de ter formação técnica e experiência, enfrenta meses de espera sem respostas ou avanços nos processos seletivos. “Existem vagas para as quais me inscrevi em outubro e nunca tive retorno”, afirma. Sua experiência reflete uma tendência no mercado, em que o aumento das vagas e a concorrência mais acirrada coexistem com a automatização dos processos.

Pesquisa do LinkedIn indica que 60% dos brasileiros consideram mais difícil conseguir emprego no último ano. Entre os motivos estão o aumento da concorrência e a elevação das exigências nos processos seletivos. Segundo Milton Beck, diretor do LinkedIn para a América Latina, a inteligência artificial apenas escancarou um problema antigo: a competição por vagas em um mercado cada vez mais competitivo.

O uso da IA no recrutamento avançou rápido. Em 2025, mais da metade das organizações na América Latina utilizava alguma forma de tecnologia para seleção, segundo a Society for Human Resource Management. Candidatos também têm recorrido a ferramentas como o ChatGPT para melhorar currículos e cartas de apresentação, criando uma nova dinâmica entre máquinas que filtram e candidatos que tentam driblar os filtros.

Esse processo acelera a triagem inicial, mas pode gerar lentidão nas fases que dependem exclusivamente da avaliação humana, como entrevistas e decisões finais. Agendas, critérios subjetivos e o custo de contratações erradas são fatores que contribuem para a demora nas etapas posteriores, explica Thomas Costa, head de growth da Pandapé e da Redarbor.

Além disso, muitos candidatos já empregados têm menos urgência para avançar rapidamente nos processos seletivos, o que pode atrasar a conclusão dos recrutamentos. Plataformas afirmam que a IA não elimina candidatos, mas organiza os perfis conforme a compatibilidade com as vagas. Na prática, no entanto, aqueles que aparecem nas últimas posições dificilmente são analisados.

Essa situação gera a sensação de exclusão entre os candidatos. Samanta relata que “o robô afunila demais” e que a IA não reconhece o potencial além das palavras-chave presentes no currículo. Segundo pesquisa do LinkedIn, cerca de 29% dos brasileiros não entendem como a inteligência artificial atua nos processos e 28% duvidam da justiça na avaliação das candidaturas.

A ausência de retorno é uma queixa frequente e provoca desgaste emocional nos profissionais em busca de emprego. Hashtags nas redes sociais, como #venceragupy, simbolizam a frustração coletiva com a falta de informações e transparência. A empresa Gupy relatou 36 milhões de inscrições para 1 milhão de vagas em 2024 e tem adotado medidas para fechar vagas sem movimentação, buscando reduzir a percepção de “vagas fantasmas”.

Algumas empresas mantêm processos abertos mesmo sem movimentação para reaproveitar candidatos futuramente, estratégia que pode gerar confusão e ansiedade. Profissionais da área apontam que a solução para agilizar os processos está menos na tecnologia e mais em revisar práticas internas, eliminar etapas desnecessárias e aumentar a clareza para os candidatos.

Informar os candidatos sobre as fases do processo, prazos e critérios diminui a frustração e torna a experiência menos desgastante. Segundo Jhennyfer Coutinho, chefe de experiência da Gupy, o retorno nem precisa ser longo, mas deve existir para manter o acompanhamento humano e evitar o silêncio que amplia a sensação de abandono.

No atual mercado, em que a competição é alta e os processos seletivos mais complexos, a falta de comunicação passa a ser parte do problema e contribui para o desgaste dos candidatos. Samanta Santos segue buscando oportunidades, conciliando a busca por emprego com a rotina de cuidar dos filhos, e enfatiza seu desejo de que o processo seja mais transparente. “Uma hora vai. Só queria que o caminho fosse menos escuro,” conclui.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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