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Brasil recebe pacotes completos de inteligência artificial d

Brasil recebe pacotes completos de inteligência artificial d
  • Publishedabril 25, 2026

Em 23 de julho de 2025, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem para exportar “pacotes completos” de inteligência artificial (IA), incluindo o Brasil como destino prioritário ao lado do Egito e da Indonésia. A medida intensifica a disputa entre EUA e China pela influência tecnológica global, inserindo o Brasil em um cenário estratégico complexo.

O Brasil firmou, no mesmo período, um memorando de entendimento com a China para ampliar a colaboração em IA, enquanto negocia com os Estados Unidos o programa de exportação americano. Ao mesmo tempo, investidores internacionais anunciam bilhões de dólares em investimentos para data centers no país, com empresas como Microsoft, Amazon e Oracle ampliando sua presença.

A iniciativa dos EUA faz parte de uma estratégia para consolidar a influência em mercados emergentes, diante do avanço da tecnologia chinesa. O governo americano entende que competir apenas com hardware, como chips, não é suficiente. Por isso, busca exportar um ecossistema completo, que inclui software, infraestrutura e normas técnicas e regulatórias.

A tecnologia chinesa de IA é oferecida em um modelo denominado “full-stack com condições embutidas”, que combina hardware subsidiado, softwares com lógica opaca e uma governança alinhada ao regulamento do governo de Pequim. Já os Estados Unidos promovem um pacote que inclui também uma arquitetura normativa, com valores e sistemas de compliance compatíveis com sua legislação.

Essa disputa tecnológica tem consequências diretas para o Brasil, que se encontra diante de um dilema. A dependência de infraestrutura estrangeira já consolidada nos data centers e nas plataformas utilizadas pelo setor público e privado amplia a influência externa em decisões estratégicas do país.

Sistemas de IA aplicados em áreas como análise de crédito, triagem de políticas públicas, recomendação de conteúdos e gestão de contratos foram desenvolvidos na maior parte por empresas americanas, com dados e parâmetros alinhados às realidades dos EUA. Essa dependência cria um viés estrutural, que não necessariamente é intencional, mas reflete as condições da tecnologia disponível.

Além disso, os servidores que suportam a infraestrutura digital brasileira estão sujeitos ao CLOUD Act, lei americana que permite ao governo dos EUA requisitar dados armazenados por provedores americanos em qualquer lugar do mundo. Isso gera uma potencial vulnerabilidade à soberania e à privacidade dos dados brasileiros.

No campo regulatório, o Brasil acompanha o AI Act europeu como referência para sua legislação nacional. O projeto em discussão no Senado prevê um sistema de governança para a IA sob a responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Em tese, isso assegura autonomia regulatória, mas, na prática, a implementação depende de corporações multinacionais estrangeiras que controlam a infraestrutura utilizada.

Por outro lado, o Brasil possui ativos que o colocam em posição estratégica. É o maior mercado de dados da América Latina, dispõe de uma matriz energética considerada limpa — um fator importante para a operação de centros de dados — e desenvolveu o PIX, um sistema de pagamento digital reconhecido mundialmente por sua sofisticação.

Apesar dessas vantagens, o país enfrenta o desafio de avaliar o que está abrindo mão ao aceitar os pacotes completos de IA oferecidos pelos EUA ou investir nas parcerias chinas. O ponto central da discussão é a autonomia em decisões futuras que serão tomadas por sistemas treinados e controlados por atores externos, potencialmente fora do controle brasileiro.

O debate público ainda precisa aprofundar as consequências tecnológicas e estratégicas dessas parcerias, considerando não só aspectos econômicos, mas também a soberania digital e a capacidade de influência nacional no desenvolvimento e uso das novas tecnologias.

Palavras-chave: inteligência artificial, Brasil, EUA, China, tecnologia, infraestrutura digital, disputa tecnológica, CLOUD Act, regulação de IA, autonomia digital, mercado de dados, PIX, investimentos em data centers, AI Act.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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