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Bololo Restaurant, do MC Ryan SP, é alvo de operação

Bololo Restaurant, do MC Ryan SP, é alvo de operação
  • Publishedabril 23, 2026

Bololo Restaurant, do MC Ryan SP, é alvo de operação da PF

Reprodução YouTube

Antes de ser preso pela Polícia Federal por integrar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, MC Ryan SP planejava mudanças importantes para sua carreira.

O artista buscava comemorar o fato de ser o artista mais ouvido do Brasil no Spotify com um show repaginado.

Isso porque, após ser flagrado agredindo a sua companheira, Ryan teve shows cancelados e teve sua agenda afetada por uma diminuição considerável de shows.

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Para 2026, ele queria investir em um espetáculo com maior duração, com, pelo menos, 1h de duração e uma estética grandiosa para os padrões do funk.

A ideia do cantor era se apresentar em casas que conseguissem dar suporte a um palco maior, levando pelo Brasil uma réplica da cabeça de um tubarão, animal que virou apelido do funkeiro.

Ele chegou a fazer uma espécie de “show teste” em Brasília (DF), segundo pessoas ouvidas pelo g1, ele estava animado com a ideia de replicar o show em casas maiores pelo Brasil.

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Novos talentos na Bololô Records

Outro ponto que Ryan pretendia investir era na revelação de novos talentos para sua produtora recém-criada, a Bololô Records.

Após o sucesso de “Posso Até Não Te Dar Flores”, que alavancou a carreira do MC Meno K e do DJ Japa NK, o funkeiro já mapeava novos nomes pelo Brasil.

Com microfone na mão, Ryan SP faz música com DJ Japa NK na Bololô Records

Fábio Tito/g1

Uma das revelações da empresa é o MC Black da Penha, cantor carioca que foi “garimpado” por Ryan nos bailes do RJ, passando a integrar o hall de artistas da Bololô Records.

O artista/empresário também buscava investir em nomes que já tinham sucessos no catálogo, mas precisavam de novidades. Era o caso de MC Luuky, cantor empresariado por Ryan e que trabalhava em um novo álbum vinculado a um projeto audiovisual.

O esquema

Operação da PF contra transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão prende MC Ryan SP e Poze do Rodo

A Polícia Federal revelou que o esquema de uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão utilizava uma estrutura complexa, com empresas, influenciadores digitais e operações financeiras sofisticadas para ocultar a origem de recursos ilícitos.

No total, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. Os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estão entre os presos.

Os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram presos na operação, além de outros produtores de conteúdo.

Como funcionava o esquema bilionário

MC Ryan SP e MC Poze do Rodo

Reprodução/Redes sociais

💰 Origem do dinheiro

Em coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Maceira explicou que o dinheiro usado no esquema teria como origem apostas em bets ilegais, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas.

Segundo as investigações, o esquema começava com a captação de valores por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam dinheiro de milhares de pessoas. Esses recursos eram inicialmente pulverizados em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.

🔄 Rede de operadores

Depois de arrecadado, o dinheiro passava por uma rede estruturada de operadores financeiros, empresas e intermediários responsáveis por centralizar e redistribuir os valores.

A decisão judicial, obtida pela TV Globo, descreve um sistema com funções bem definidas, incluindo responsáveis por captação, armazenamento, circulação e reinserção dos recursos no sistema financeiro formal.

“Dentro desse esquema, eles usavam algumas processadoras de pagamento para circular um montante relevante de dinheiro. Através delas, conseguiram partir para as fases finais de lavagem que era a descentralização desses recursos, a utilização de laranjas para que esse dinheiro não chamasse a atenção de autoridades e ficasse mais difícil fazer o rastreio disso”, explicou o delegado.

🧩 Fragmentação e ocultação

Para esconder a origem ilícita, o grupo utilizava técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como o fracionamento de transferências — prática conhecida como “smurfing” — além do uso de criptomoedas e movimentações entre empresas e contas de terceiros.

Também foram identificados indícios do uso de “laranjas” e da transferência de bens e empresas para familiares ou pessoas interpostas, como forma de dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.

🎤 Empresas e imagem pública

Um dos pontos centrais do esquema era o uso de empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência legal ao dinheiro. Os valores ilícitos eram utilizados para custear despesas da carreira artística de alguns investigados pela PF, incluindo cachê de shows.

Influenciadores e páginas de grande alcance nas redes sociais também eram contratadas para fazer a divulgação de plataformas de apostas e rifas, contribuindo tanto para a entrada de novos recursos quanto para a legitimação das operações.

Um dos alvos da operação é, justamente, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, conhecida pelas publicações de fofoca e entretenimento.

“Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos. Então, eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações”, afirma Maceira.

Carros apreendidos em operação da PF contra organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão

Divulgação/PF

🏠 Dinheiro convertido em patrimônio

Após passar por essas etapas, os influenciadores e artistas investigados acumularam patrimônios milionários por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor. Os itens de luxo eram ostentados nas redes sociais.

Para a Polícia Federal, essa fase representa a etapa final da lavagem, quando os recursos já aparecem como aparentemente legais e podem ser utilizados sem levantar suspeitas imediatas.

As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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Operação

Operação da PF mira organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão

Divulgação/PF

Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada no ano passado.

Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.

O que dizem as defesas

Abaixo, leia a íntegra da da defesa de MC Ryan:

“A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.

Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.

A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada.”

Abaixo, leia a íntegra da da defesa de MC Poze do Rodo:

“A Defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.”

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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