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A Polícia Civil de São Paulo investiga o influenciador digit

A Polícia Civil de São Paulo investiga o influenciador digit
  • Publishedabril 23, 2026

A Polícia Civil de São Paulo investiga o influenciador digital Jefferson de Souza por suspeita de usar inteligência artificial (IA) para criar deepfakes que sexualizam imagens de jovens evangélicas em igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB). A apuração começou em fevereiro após denúncias de adolescentes e seus familiares na 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, na Zona Leste da capital paulista.

Jefferson, que soma cerca de 50 mil seguidores no TikTok, YouTube, Instagram e Facebook, publicou vídeos criticando o vestuário das jovens nas igrejas, afirmando que as roupas “marcam o corpo”. Ele também compartilhava conteúdos nos quais alterava fotos das fiéis com deepfake, uma técnica que utiliza IA para manipular imagens e vídeos de forma realista, criando cenas falsas ou alteradas.

Em depoimento, o influenciador admitiu usar imagens postadas pelas jovens como base para suas montagens digitais, nas quais simulava danças e situações sexualizadas. O conteúdo era divulgado em seu canal “Humor do Crente” e perfis onde se apresenta como “Silvio Souza”, fazendo imitações do apresentador Silvio Santos.

Entre as vítimas está uma adolescente de 16 anos, que teve sua foto manipulada sem autorização para aparecer sensualizando em vídeos ao lado de outras mulheres. A jovem relatou constrangimento e mudança no comportamento, evitando tirar novas fotos desde a divulgação dos conteúdos pela internet. Familiares dela foram até a polícia registrar a ocorrência, que inclui possível crime de simulação digital de cenas pornográficas envolvendo menor de idade, previsto no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Além da investigação sobre o uso de deepfake com menores, a polícia também apura se Jefferson cometeu difamação contra outras jovens expostas nas redes sociais. A delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª DDM, destacou que as leis aplicáveis no mundo real também valem no ambiente virtual, reforçando a responsabilidade dos autores de materiais digitais que violam direitos.

Jefferson negou inicialmente as acusações, afirmando que seus vídeos tinham caráter humorístico e visavam engajamento. Em vídeo de pedido de desculpas divulgado no domingo de Páscoa, ele reconheceu erro na forma de se expressar ao criticar a CCB, mas não mencionou o uso dos deepfakes.

Especialistas ouvidos afirmam que o avanço da tecnologia amplia as possibilidades para a prática de crimes digitais, mas não diminui a responsabilidade dos envolvidos na criação ou disseminação dessas imagens. Para Laura Hauser, pesquisadora da PUC-SP, o foco deve estar no autor do ataque, não na vítima. Juliana Cunha, diretora da SaferNet, reforça a necessidade de apoio às vítimas e coleta de dados para promover alterações legislativas e políticas públicas.

Em nota, a Congregação Cristã do Brasil afirmou não possuir registro formal de membros e apoia as medidas legais cabíveis contra os responsáveis. Plataformas digitais mencionadas no caso, como TikTok e YouTube, informaram que removem conteúdos que violam suas diretrizes, principalmente em casos de exploração sexual infantil. A Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, não se pronunciou até a última atualização.

A polícia ainda busca identificar e localizar outras possíveis vítimas dos deepfakes produzidos pelo influenciador, com o inquérito sendo acompanhado pelo Ministério Público e pela Justiça.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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