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Maurício da Cruz, brasileiro que vive em Pequim

Maurício da Cruz, brasileiro que vive em Pequim
  • Publishedabril 22, 2026

Maurício da Cruz, brasileiro que vive em Pequim, relata sua rotina em uma moradia popular na capital chinesa, onde paga aluguel mensal equivalente a R$ 30. Ele decidiu morar nessa área após perder o emprego de tradutor de jogos eletrônicos devido à automação e ao alto custo de vida na cidade.

Maurício chegou à China em 2000, aos 11 anos, acompanhando o pai transferido a trabalho. Morou em Pequim por dois anos antes de voltar ao Brasil. Em 2012, retornou à China para permanecer no país, dedicando-se inicialmente ao estudo do mandarim. Posteriormente, trabalhou na tradução de jogos, atividade que perdeu com o avanço da inteligência artificial.

Hoje, Maurício reside em uma casa de isopor com 28 metros quadrados em uma área considerada uma “favela” chinesa. A residência fica em um conjunto habitacional antigo, ligado historicamente às “unidades de trabalho” (danwei), sistema que garantia moradia subsidiada a funcionários de empresas estatais. A propriedade pertence à mãe de sua esposa, que ainda mantém o direito de alugar o imóvel abaixo do preço de mercado.

O imóvel está localizado em uma região tradicional de Pequim, onde anteriormente famílias ricas possuíam grandes residências com pátios internos (siheyuan). Após a revolução comunista, esses espaços foram divididos entre várias famílias, e com o tempo passaram a ser subdivididos informalmente para abrigar mais moradores. Muitas casas ainda possuem estruturas irregulares, como “puxadinhos” não legalizados.

Maurício destaca a limitação de espaço e a falta de privacidade na convivência diária. Apesar disso, afirma que a segurança no local é satisfatória e que os moradores mantêm uma convivência pacífica. O imóvel passou por reformas internas feitas pelo casal, incluindo instalação de banheiro e ar-condicionado, enquanto externamente mantém a aparência antiga.

Sem a possibilidade de continuar no emprego tradicional, Maurício passou a produzir conteúdo digital sobre a vida na China, atraindo seguidores nas redes sociais interessadas nas diferenças culturais e no cotidiano urbano. Seu canal atingiu mais de um milhão de seguidores nas plataformas, gerando uma nova fonte de renda que ajuda a custear suas despesas.

Recentemente, ele abriu uma empresa destinada a criar uma agência de turismo chamada “China Sem Fim”, que pretende promover viagens em grupo para brasileiros ao país, utilizando sua experiência e audiência como base para o negócio. Maurício afirma que rejeitou propostas que não estavam alinhadas com sua imagem e estilo de conteúdo.

O relato do brasileiro evidencia os desafios e adaptações necessárias para viver em áreas populares de grandes centros chineses, onde o custo elevado da moradia obriga alternativas coletivas e soluções informais. Ao mesmo tempo, mostra o potencial de transformação digital para gerar oportunidades e criar conexões culturais.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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