O Irã reabriu o Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (17)

O Irã reabriu o Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (17), após acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos, provocando uma queda de cerca de 10% no preço do petróleo Brent no mercado internacional. A medida afeta o Brasil ao reduzir custos no mercado de combustíveis, cenário que ainda enfrenta desafios para repassar os benefícios ao consumidor.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima estratégica, por onde circulam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito no mundo. A tensão na região gerou bloqueio parcial por parte do Irã em resposta a ataques americanos e israelenses em fevereiro, o que elevou o preço global do petróleo. Os EUA chegaram a anunciar um possível bloqueio naval, mas com o cessar-fogo, a passagem foi declarada totalmente aberta.
Com a queda do petróleo Brent para US$ 89,43 o barril, o Brasil pode observar uma redução gradual nos preços dos combustíveis, incluindo diesel e querosene de aviação. Até o momento, o governo federal adotava um pacote de subsídios e isenções para conter a alta nos preços internos, especialmente do diesel, combustível fundamental para o transporte de cargas e a atividade agrícola no país.
O pacote inclui R$ 30 bilhões em medidas para reduzir o preço do diesel em R$ 0,64 por litro, combinando isenção de impostos com subvenções diretas às distribuidoras. Em abril, o subsídio foi ampliado para atingir R$ 1,12 por litro produzido nacionalmente. No setor aéreo, o governo isentou PIS e Cofins sobre o querosene de aviação, promoveu linhas de crédito e prorrogou tarifas para apoiar o segmento.
Contudo, a efetivação desses benefícios enfrenta obstáculos, em especial pela resistência de grandes distribuidoras privadas, como Ipiranga e Raízen, que inicialmente não aderiram ao programa, buscando evitar limites impostos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no preço do diesel. A Vibra (antiga BR Distribuidora) acabou aderindo recentemente, o que pode facilitar a implementação.
A expectativa é que a queda nos preços globais ajude a compensar a limitação na adesão ao pacote oficial, mas o impacto direto para os consumidores deve levar semanas para se refletir totalmente nas bombas de combustível. No mercado financeiro, o dólar caiu 0,52%, chegando a R$ 4,9667, e a bolsa brasileira apresentou valorização devido ao alívio na percepção de risco internacional.
Segundo análise do BTG Pactual, o Brasil passa por uma transformação estrutural desde 2016 que o torna exportador líquido de petróleo, o que reverte o efeito tradicionalmente negativo da alta do petróleo sobre a balança comercial e as contas externas. Anteriormente, aumentos no preço do barril ampliavam déficits; hoje, contribuem para superávits.
Nesse contexto, a recente alta do petróleo beneficiava as contas externas brasileiras, aumentando o saldo comercial e reduzindo o déficit em transações correntes. No cenário oposto, a queda atual pode reduzir o superávit previsto, mas aliviará pressões inflacionárias internas.
O relatório do BTG estima que se o Brent se mantiver em US$ 100 até o final de 2025, o saldo da balança comercial pode alcançar US$ 93 bilhões; se retroceder a US$ 70, esse saldo cairia para cerca de US$ 80 bilhões. Dessa forma, oscilações internacionais afetam diretamente as projeções econômicas nacionais.
Em suma, a reabertura do Estreito de Ormuz e a queda no preço do petróleo reduzem custos para o Brasil, potencialmente impactando positivamente os preços internos de combustíveis, embora existam desafios para que esse movimento chegue ao consumidor final. A estabilidade no Oriente Médio cria um ambiente mais favorável para a economia nacional e os mercados financeiros.
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Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com