Senado americano cobra transparência sobre patrimônio e inve

O Senado dos Estados Unidos demonstrou preocupações com a indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve após a divulgação de seu patrimônio superior a US$ 100 milhões, que apresenta lacunas e informações incompletas sobre seus ativos. A audiência de confirmação está marcada para o dia 21 de abril, mas pode ser adiada devido a dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse.
Documentos entregues por Warsh, com 69 páginas, mostram investimentos significativos, incluindo mais de US$ 50 milhões no fundo Juggernaut Fund LP e US$ 10,2 milhões recebidos em consultorias para o investidor Stanley Druckenmiller. Contudo, parte dos ativos permanece detalhada apenas parcialmente, protegida por acordos de confidencialidade, o que ganhou críticas no Senado.
A senadora democrata Elizabeth Warren criticou as inconsistências nas informações financeiras e pediu o adiamento da audiência até que Warsh esclareça todas as divulgações e esteja em conformidade com as regras éticas. “Essa audiência não deveria avançar até que essas divulgações financeiras sejam resolvidas”, afirmou Warren após encontro com o indicado.
O principal receio dos parlamentares é que, sem transparência plena, não seja possível identificar e eliminar eventuais conflitos de interesse antes da possível posse de Warsh à frente do banco central americano. Warren lembrou que o Fed já enfrentou escândalos relacionados a conflitos financeiros e destacou a importância da revisão detalhada das relações do indicado.
As regras de ética atualizadas em 2022 para o Federal Reserve proíbem que suas autoridades mantenham determinados tipos de investimentos, como ações relacionadas a bancos e ativos vinculados a criptomoedas. Mesmo assim, Warsh declarou participações em empresas ligadas ao setor, incluindo plataformas associadas a Ethereum e serviços financeiros digitais.
Além dos fundos de investimento, a documentação indica dezenas de participações em setores como inteligência artificial e tecnologia, muitas sem valores especificados. Também foram listados ativos atribuídos à esposa de Warsh, Jane Lauder, herdeira da marca Estée Lauder, com patrimônio estimado em cerca de US$ 1,9 bilhão.
Especialistas citados pela Reuters ressaltam a complexidade das declarações financeiras de Warsh. Kathryn Judge, professora da Columbia Law School, destacou que “o mais impressionante são os acordos que não foram totalmente divulgados”, o que pode demandar esclarecimentos adicionais durante a sabatina no Senado.
A resistência à indicação não se limita aos democratas. O senador republicano Thom Tillis condicionou seu voto favorável à conclusão de uma investigação do Departamento de Justiça relacionada ao atual presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Esse posicionamento dificulta o avanço da nomeação de Warsh.
Simultaneamente, todos os democratas do Comitê Bancário pedem o adiamento da audiência enquanto houver investigações em curso envolvendo membros do Fed, interpretadas como tentativa de influência sobre a política de juros da instituição.
O governo de Donald Trump planeja confirmar Warsh para o comando do Federal Reserve até 15 de maio, data final do mandato de Powell como presidente da instituição. No entanto, as lacunas nas declarações financeiras e a necessidade de possível desinvestimento dos ativos complexos tornam esse cronograma desafiador.
Caso a confirmação de Warsh não ocorra dentro desse prazo, Jerome Powell poderá permanecer no cargo, inicialmente como presidente interino, e continuar como diretor do Fed até 2028.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com