No sudeste do Pará, agricultores familiares adotam um

No sudeste do Pará, agricultores familiares adotam um sistema de irrigação com potes de barro enterrados para enfrentar a seca e garantir a produção agrícola durante todo o ano. O método, chamado Irrigapote, dispensa o uso de energia elétrica e altos investimentos, oferecendo uma alternativa viável para pequenos produtores.
O sistema foi desenvolvido a partir de uma parceria entre a pesquisadora Lutieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, e uma universidade da Etiópia. Ele utiliza potes de argila enterrados no solo que liberam água gradualmente para as raízes das plantas, garantindo umidade constante mesmo em períodos de estiagem.
A captação da água é feita por calhas nos telhados que direcionam a chuva para reservatórios. A irrigação ocorre por meio de mangueiras conectadas a esses reservatórios, com sistema de boias para evitar desperdícios. A água é distribuída para os potes de barro próximos às plantas, que absorvem a umidade pelas paredes porosas.
Um único pote pode irrigar várias plantas. Em alguns casos, as raízes chegam a crescer até sete metros para alcançar a fonte de água e se fixam na argila para absorvê-la diretamente. O sistema minimiza a perda de plantas por falta de água, como registrado na propriedade de uma produtora de Tucuruí que perdeu mais de mil plantas antes de adotar a técnica.
Além do aspecto técnico, o Irrigapote oferece uma solução financeira para o pequeno agricultor. Diferentemente dos sistemas tradicionais, que demandam investimentos altos e uso de energia elétrica, essa alternativa apresenta custo médio de R$ 8 mil para implementar 100 potes, sendo o principal gasto a compra do material.
O método tem despertado interesse entre comunidades indígenas, como a Aldeia Trocará, e quilombolas. Para essas comunidades, o sistema representa uma estratégia para garantir a segurança alimentar e fomentar o cultivo de culturas perenes, como cacau e açaí, que demandam irrigação constante.
O Irrigapote contribui para ampliar a produção agrícola mesmo em regiões afetadas por longos períodos de seca, oferecendo manutenção simples, baixo custo e independência do fornecimento elétrico. A técnica apresenta potencial para ser replicada em outras localidades com desafios semelhantes.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com