Economia

A China começou a restringir as exportações de

A China começou a restringir as exportações de
  • Publishedmarço 19, 2026

A China começou a restringir as exportações de fertilizantes em março de 2024 para proteger seu mercado interno, impactando fornecedores globais, incluindo o Brasil. A decisão ocorre em um contexto de tensão regional, após o conflito entre EUA, Israel e Irã, que afeta rotas comerciais essenciais, como o Estreito de Ormuz.

O país asiático é o terceiro maior fornecedor de fertilizantes do Brasil, respondendo por 11,5% das importações brasileiras no ano passado, segundo dados do Ministério do Comércio Exterior. As restrições incluem a proibição da exportação de misturas de fertilizantes de nitrogênio e potássio, além de certas variedades de fosfato.

Essas medidas ampliam a pressão sobre o mercado mundial, já abalado pela escassez de insumos causada pela guerra no Oriente Médio. A China controla seu estoque para manter preços internos baixos e garantir a segurança alimentar do país, limitando o envio de produtos ao exterior, conforme apontam fontes do setor.

Segundo estimativas, cerca de metade das exportações chinesas de fertilizantes, equivalentes a até 40 milhões de toneladas, estão impactadas pelas restrições. Além de fertilizantes, a China também proibiu recentemente a exportação de combustível refinado, uma decisão que reflete a estratégia de proteger insumos essenciais durante crises globais.

No Brasil, especialistas indicam que o aumento imediato no custo dos fertilizantes não deve afetar as safras plantadas no primeiro semestre de 2024, uma vez que os insumos já foram adquiridos. No entanto, a alta pode impactar a produção a partir do segundo semestre, aponta Paulo Pavinato, professor da ESALQ/USP.

Os preços internacionais da ureia, um dos principais fertilizantes, subiram cerca de 40% em relação ao período antes da guerra. No mercado chinês, os contratos futuros da ureia alcançaram recentemente uma máxima em dez meses.

A dependência brasileira da China, que forneceu mais de US$ 93 milhões em fertilizantes no ano passado, revela a vulnerabilidade diante das restrições. Outros países asiáticos, como Indonésia, Tailândia e Índia, também são afetados, já que a China compõe uma parcela expressiva de suas importações.

Em meio a esse cenário, governos ao redor do mundo vêm adotando medidas para restringir exportações de insumos e produtos estratégicos, agravando a escassez no mercado internacional e elevando os preços.

No início de abril, as Filipinas anunciaram que a China garantiu manter as exportações de fertilizantes em funcionamento. No entanto, durante uma conferência em Xangai, vendedores indicaram que a suspensão das restrições pode persistir até agosto, após o período de pico de exportação chinês.

Órgãos oficiais chineses responsáveis pelo comércio e alfândega não comentaram publicamente sobre as medidas até o momento. O governo mantém o foco na estabilidade interna diante dos riscos globais gerados pela guerra.

Os fertilizantes são essenciais para garantir o crescimento das plantas e a produtividade das culturas. A redução no fornecimento pode levar agricultores a diminuir o uso dos insumos ou a optar por culturas menos dependentes, o que pode comprometer a produção agrícola e, consequentemente, os preços dos alimentos, inclusive no Brasil.

Assim, o cenário atual indica uma pressão adicional sobre o mercado agrícola brasileiro pela combinação da guerra no Oriente Médio e das restrições chinesas às exportações. Produtores, importadores e governos monitoram de perto os próximos passos para mitigar os impactos no abastecimento e nos preços.

Palavras-chave: China, fertilizantes, exportações restritas, Brasil, guerra no Oriente Médio, preços dos alimentos, produção agrícola, ureia, segurança alimentar, mercado global, Estreito de Ormuz.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

Leave a Reply