O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou forte alta no início de 2026 impulsionada pela entrada expressiva de capital estrangeiro, mas a escalada da guerra no Oriente Médio trouxe novos desafios ao mercado. Entre janeiro e fevereiro, o saldo de investimentos vindos do exterior na B3 chegou a R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume para o período na última década, segundo a consultoria Elos Ayta.
Esse aporte de recursos externos ajudou o Ibovespa a atingir um recorde histórico, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 190 mil pontos. Em janeiro, o índice acumulou R$ 26,4 bilhões em investimentos estrangeiros, maior volume mensal desde fevereiro de 2022. Em fevereiro, a entrada foi de R$ 16,9 bilhões. Os aportes representam um crescimento significativo em relação ao mesmo período de 2025, quando somaram R$ 26,87 bilhões.
O cenário favorable à bolsa brasileira no início do ano é atribuído a fatores como a taxa básica de juros elevada no Brasil, atualmente em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Essa taxa atrai investidores em busca de retornos maiores, especialmente em comparação com economias desenvolvidas que oferecem juros mais baixos. Além disso, as ações brasileiras são vistas como baratas em dólar após um período de desempenho fraco, o que aumenta seu atrativo para estrangeiros.
Outro ponto destacado é a diversificação das carteiras globais, que leva gestores a redistribuírem investimentos quando o Brasil apresenta preços competitivos e um mercado amplo. Também contribui para o fluxo de recursos a maior liquidez internacional e a possível desvalorização do dólar, fatores que favorecem mercados emergentes.
No entanto, a intensificação do conflito no Oriente Médio, marcada por ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, gerou um impacto negativo no mercado. Desde o início da escalada, o Ibovespa acumulou queda de 5%, recuando para patamares abaixo dos 180 mil pontos. A incerteza provocada pela guerra provocou um movimento de fuga para ativos considerados mais seguros, como dólar e ouro, fenômeno conhecido como “flight to quality”.
Especialistas ouvidos indicam que, apesar da pressão do conflito, o ingresso de capital estrangeiro pode continuar em 2026, mas a sua intensidade dependerá da evolução do cenário internacional. Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, aponta que fatores estruturais no Brasil, como a expectativa de redução dos juros e o preço atraente das ações em dólar, mantêm o país atrativo para investidores.
Ele ressalta que uma eventual intensificação da guerra em março pode diminuir o volume dos aportes, mas dificilmente interromperá o fluxo de recursos. Para Conde, as quedas momentâneas do índice podem criar oportunidades para compras, com potencial do Ibovespa alcançar a marca de 200 mil pontos no médio prazo.
Por sua vez, Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, destaca que o aumento das tensões globais pode reduzir o desempenho do mercado a curto prazo. Segundo ele, a busca por segurança pode levar a uma saída temporária de recursos de ações e emergentes para ativos de refúgio, com pressão negativa sobre o índice brasileiro.
Belitardo explica que, em períodos de conflito, é comum observar alta no preço do petróleo e valorização de ativos considerados seguros, como dólar e ouro, ao mesmo tempo em que bolsas mundo afora enfrentam dificuldades. Esse movimento pode limitar a força do Ibovespa até que a situação internacional se estabilize.
Em resumo, o rali do Ibovespa no início de 2026 foi sustentado pela entrada significativa de recursos estrangeiros motivados por condições econômicas favoráveis no Brasil. Entretanto, a escalada da guerra no Oriente Médio trouxe volatilidade e incerteza ao mercado. O desempenho futuro do índice dependerá do desenrolar do conflito e do ambiente global, com possibilidades de retomada dos investimentos quando o cenário internacional se normalizar.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com