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Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, relatou abusos

Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, relatou abusos
  • Publishedjunho 16, 2026

Rebecca, criadora de conteúdo no OnlyFans, relatou abusos, ameaças contra sua filha e agressões físicas após entrar em contato com uma agência que prometia ajudar a aumentar seus ganhos na plataforma. Os episódios ocorreram em 2023, no sul do País de Gales, e fazem parte de uma investigação da BBC que revelou exploração e controle por agentes conhecidos como OnlyFans Managers (OFMs).

De acordo com Rebecca, os agentes inicialmente mostraram apoio, elogiando sua aparência, mas logo passaram a controlar suas atividades, insultando-a e proibindo-a de sair com amigos. A situação piorou após ela alterar os dados de acesso à conta do OnlyFans, preocupada com o bloqueio por parte da agência que tinha acesso ao perfil.

Ela recebeu mensagens ameaçadoras, como “Vou acabar com você e com sua filha”. Um tijolo foi arremessado contra a janela de sua casa e, semanas depois, dois homens mascarados entraram na residência, agredindo-a fisicamente. Rebecca apresentou fotos das lesões à BBC.

A investigação ouviu 60 criadores de conteúdo no Reino Unido e infiltrou-se no grupo OFM Empire, no Telegram, que reúne 24 mil membros e orienta agentes sobre como recrutar criadores e controlar suas contas, frequentemente recorrendo a ameaças e táticas de coerção.

Os OFMs prometem aumentar os ganhos dos criadores em troca de uma fatia que varia em torno de 50% da receita, enquanto a plataforma OnlyFans fica com 20%. Contratos obtidos pela BBC indicam que alguns agentes chegam a ficar com até 70% dos ganhos, exigem acesso total às contas e impõem multas para rescisão antecipada.

Especialistas consultados afirmam que esses contratos refletem exploração, controle e coerção financeira, criando uma relação semelhante à servidão entre os criadores e os gestores. Eleanor Lyons, comissária independente contra a escravidão moderna no Reino Unido, alerta para a necessidade de maior fiscalização e que o governo examine a atuação dessas agências.

O OnlyFans, com sede no Reino Unido, afirmou que leva a segurança a sério e que não endossa terceiros, como agências de gestão. Segundo a plataforma, não há vínculo contratual entre eles e os agentes, e as relações estabelecidas fora do ambiente digital não são de responsabilidade direta da empresa.

Entretanto, casos como o de Rebecca e relatos de outros criadores que tiveram senhas alteradas, dados bancários trocados e contratos vendidos sem consentimento expõem fragilidades no sistema de controle da plataforma. A BBC destacou que mesmo com processos de verificação e monitoramento, é possível que gestores abusem do acesso às contas.

Outras criadoras, como Gia Clarke e Leanne, descreveram pressões para produzir conteúdos contra a vontade, perdas financeiras e contratos desfavoráveis. Leanne relatou ter gravado um vídeo sexual explícito sob pressão, que foi vendido por um preço muito abaixo do acordado, levando-a a desistir de produzir conteúdo na plataforma.

Riley, outra criadora ouvida pela BBC, denunciou situações de exploração diretamente ao OnlyFans, enviando provas e links das conversas no grupo OFM Empire. No entanto, foi informada que não havia evidências suficientes para agir.

O Ofcom, órgão regulador da segurança online do Reino Unido, classificou os relatos como “profundamente preocupantes” e ressaltou que as plataformas devem avaliar riscos de seus serviços serem usados para crimes. No entanto, destacou que crimes fora do ambiente digital não estão abrangidos pela Lei de Segurança Online.

Advogados e especialistas apontam que o OnlyFans tem um dever de cuidado com seus criadores e que poderá enfrentar processos judiciais por negligência. O problema da falta de regulamentação dos OFMs cria um ambiente propício para abusos e exploração.

Rebecca afirma que, atualmente, é representada por uma agência gerida por mulheres e espera continuar sua carreira longe das situações de exploração. Ela também sonha em acumular recursos para abrir uma escola de equitação.

A investigação da BBC e os relatos das vítimas reforçam a necessidade de maior proteção e fiscalização sobre agentes que atuam como gestores de contas no OnlyFans, ambiente em expansão que movimenta milhões globalmente e que carece de regulamentação específica para evitar abusos e violência.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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