Rendimento mensal de cerca de r$ 5 mil coloca brasileiros en

Cerca de R$ 5 mil por mês são suficientes para um brasileiro estar entre os 10% mais ricos do país em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE. A análise mostra que o topo da distribuição de renda no Brasil começa antes do que a maioria imagina, apesar da desigualdade persistente.
O rendimento médio mensal por pessoa nos domicílios brasileiros foi de R$ 2.264 em 2025. No entanto, esse valor esconde disparidades significativas entre diferentes parcelas da população.
Os 10% mais ricos tiveram rendimento médio de R$ 3.590 por pessoa, enquanto os 5% mais ricos receberam, em média, R$ 5.519. O grupo entre 96% e 99% do topo da renda chegou a R$ 9.648. No ápice da desigualdade, os 1% mais ricos tiveram rendimento médio mensal de R$ 24.973.
O rendimento médio dos trabalhadores ocupados ficou em R$ 3.560, próximo da média dos 10% com maior renda, indicando que parte significativa desse grupo é composta por assalariados com salários mais elevados, e não apenas por pessoas com ganhos financeiros ou patrimoniais.
Na outra ponta da distribuição, os 5% mais pobres viveram com renda média de R$ 166 por pessoa em 2025. Os 20% mais pobres tinham rendimento inferior a R$ 600 mensais por indivíduo.
A mediana da renda foi de R$ 1.311, ou seja, metade dos brasileiros recebeu menos que esse valor, mostrando a disparidade impactada pelos rendimentos mais altos que elevam a média geral.
Entre 2019 e 2025, a renda dos 10% mais pobres cresceu 78,7%, e a dos 10% a 20% mais pobres teve alta de 42,4%. Esse avanço ajuda a explicar a redução da desigualdade em relação ao período anterior à pandemia, mesmo com o crescimento da renda no topo.
A concentração de renda permanece elevada: os 10% mais ricos acumularam 40,3% de toda a renda do país em 2025, e os 70% com menores rendimentos ficaram com 32,8%. Os 10% mais pobres detiveram apenas 1,2% da renda nacional.
A discrepância entre os rendimentos dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres aumentou, passando de 13,2 vezes em 2024 para 13,8 vezes em 2025.
Regiões do Centro-Oeste registraram os maiores rendimentos médios per capita, com destaque para o Distrito Federal. Esse avanço está associado ao crescimento do mercado de trabalho qualificado no serviço público e no aumento da rentabilidade financeira, inclusive com ganhos de aluguel.
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes ressalta que o crescimento da renda no topo ocorreu acima da média nacional, com os 10% mais ricos registrando alta de 8,7%, comparado a 6,9% da média geral.
Apesar da melhora nos rendimentos das faixas mais baixas, a renda no Brasil continua concentrada, e o topo da pirâmide apresenta grande heterogeneidade interna.
Esses dados refletem um cenário de aumento da desigualdade, mesmo diante de avanços recentes nos níveis de renda das parcelas mais vulneráveis da população.
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Palavras-chave: renda no Brasil, distribuição de renda, 10% mais ricos, PNAD Contínua, IBGE, desigualdade, rendimento médio, centro-oeste, mercado de trabalho, concentração de renda.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com