A escalada da guerra no Oriente Médio e o fechamento

A escalada da guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz começaram a impactar a economia global nesta segunda-feira (2), com a alta do dólar acima de R$ 5,15 e o preço do barril de petróleo Brent chegando perto de US$ 80. Essas mudanças no mercado financeiro podem pressionar os preços de combustíveis e energia no Brasil, afetando setores como transporte, indústria e agronegócio.
O aumento no dólar e no valor do petróleo tende a refletir no bolso do consumidor brasileiro, segundo especialistas consultados pelo g1. A previsão é de que os efeitos inflacionários possam aparecer em cerca de um mês, dependendo da duração do conflito e do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo mundial.
O Banco Central do Brasil (BC) pode revisar suas decisões sobre a taxa Selic caso os preços se mantenham elevados. A instituição pode abandonar planos de redução dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mantendo a Selic em patamar elevado e contribuindo para a desaceleração da economia.
Desde os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, o preço do petróleo registrou aumento significativo. Em comparação com o fim de 2023, quando o barril estava em US$ 60, o aumento já supera 27,5%. André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destaca que quanto mais prolongado o conflito, maior a possibilidade de alta nos preços do petróleo.
O petróleo é matéria-prima para combustíveis como gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha, além de insumos usados nas indústrias de plástico, borracha, fertilizantes e medicamentos. O aumento no preço desses produtos eleva os custos de produção e a logística em diversos setores.
O custo do diesel impacta diretamente o transporte rodoviário, elevando o preço do frete e, consequentemente, o custo dos produtos transportados. Já a gasolina representa cerca de 5% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo especialistas, o que a torna relevante para a inflação oficial.
No agronegócio, o custo das máquinas e dos fertilizantes sofre pressão devido ao aumento nos preços desses insumos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que fertilizantes químicos e adubos representaram 93,5% do total importado pelo Brasil do Irã em janeiro deste ano.
A produção de energia elétrica também pode ser afetada, sobretudo nas termelétricas, que dependem de combustíveis fósseis para operar. Essas usinas costumam ser acionadas em períodos de seca, quando a geração hidrelétrica fica limitada pela baixa dos reservatórios.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, reforça que a indústria brasileira está inserida em cadeias globais e qualquer interrupção em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, afeta custos com frete, seguros e energia.
Por outro lado, o aumento dos preços do petróleo pode beneficiar a balança comercial brasileira, já que o país é um grande exportador da commodity. O valor elevado da matéria-prima pode influenciar positivamente os resultados financeiros das empresas petrolíferas nacionais.
Segundo André Braz, se houver um reajuste no preço da gasolina, ele provavelmente refletirá a tendência do mercado internacional e permanecerá elevado enquanto o petróleo continuar em alta.
O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica para o transporte de petróleo no mundo, por onde circula uma grande parte da oferta global da commodity. Seu bloqueio gera incertezas e pressiona os preços.
Em situações de instabilidade geopolítica, o dólar é visto como um porto seguro pelos investidores, o que eleva sua cotação. A valorização da moeda americana pode aumentar a pressão inflacionária sobre produtos importados, alerta Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office.
O impacto do dólar na inflação depende da duração da alta. O BC acompanha esses movimentos para ajustar a política de juros conforme necessário. Caso o conflito no Oriente Médio se estenda, o ciclo de redução dos juros pode ser suspenso ou alterado.
A definição sobre os próximos passos da política monetária ainda depende do desdobramento da guerra e dos efeitos observados nos preços do petróleo e na inflação brasileira. O mercado segue atento aos acontecimentos no exterior e suas repercussões no Brasil.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com