Quarenta cientistas e especialistas apresentaram o primeiro relatório independente da ONU sobre a inteligência artificial (IA), destacando benefícios e riscos da tecnologia na reunião global em Genebra, entre 6 e 7 de julho. O documento alerta para a rápida expansão da IA, que supera a capacidade dos governos em regulá-la, e detalha seus impactos em diversas áreas.
O painel foi formado por membros de todas as regiões do mundo, com mandato de três anos e autonomia em relação a governos, instituições e empresas. O relatório preliminar será seguido por uma análise mais completa prevista para o ano seguinte.
Segundo o estudo, a IA pode trazer avanços significativos para pessoas e países, mas também apresenta ameaças à saúde mental, direitos humanos, sistemas sociais, economia e meio ambiente. A tecnologia pode ser usada de forma destrutiva ou por agentes mal-intencionados, alerta o copresidente do painel, Yoshua Bengio.
A adoção da IA ocorre de forma desigual no mundo. Mais de um bilhão de pessoas utilizam IA conversacional semanalmente, mas países em desenvolvimento apresentam atraso no uso da tecnologia. O poder de computação está concentrado: os Estados Unidos respondem por 75% dos 500 maiores supercomputadores de IA, seguidos pela China, com 15%.
O relatório aponta ainda que, apesar de existirem mais de 7 mil idiomas falados globalmente, os modelos de IA atendem a poucos deles. Traduções automáticas incorretas podem influenciar negativamente diagnósticos e tratamentos médicos.
Além disso, a circulação de conteúdos produzidos por IA, como material de abuso sexual infantil e deepfakes, traz riscos sociais e legais. A tecnologia também intensifica a produção de conteúdo persuasivo em larga escala, afetando a integridade da informação e a confiança pública, podendo prejudicar a coesão social e o debate democrático.
Os especialistas destacam que muitos países, inclusive economias avançadas, não possuem conhecimento técnico suficiente para compreender ou governar os modelos mais avançados de IA. Isso dificulta a elaboração de políticas eficazes para o controle da tecnologia.
O relatório reforça a necessidade urgente de desenvolver métodos científicos para regulamentar a IA, evitando danos potenciais e aproveitando seus benefícios. O próximo Diálogo Global da ONU sobre governança da IA deverá aprofundar essas discussões e apresentar estratégias futuras.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

