O eletrofunk conquistou espaço nas festas sertanejas do interior do Brasil nos últimos cinco anos, superando preconceitos ligados ao gênero sertanejo tradicional. DJs e cantores como DJ Jiraya UAI, MC Jacaré, DJ Brenno Paixão e Jeninho circulam pelo país com sucessos nas festas de rua e eventos agropecuários, misturando batidas eletrônicas com elementos do funk e letras que retratam a vida no interior.
A mistura combina o tamborzão e vozes do funk com a batida do house e EDM, o que faz do eletrofunk um estilo híbrido difícil de classificar até mesmo por seus próprios artistas. DJ Jiraya UAI resume o gênero como “um funk que não é funk, mas é funk”, devido ao alto teor eletrônico presente na música. O gênero ganhou popularidade inicialmente nos estados do Centro-Oeste, especialmente entre os paredões de som e festas de rua.
A virada do eletrofunk para o grande público ocorreu no início da década com músicas como “Pipoco”, de Ana Castela e Melody, e “Ela Pirou na Dodge Ram”, de Luan Pereira e MC Ryan SP. Esses hits ampliaram o alcance do gênero para além do nicho, mas ainda era preciso vencer a resistência dos setores mais conservadores do meio sertanejo. Muitos artistas tradicionais questionavam as letras e o estilo, mas a nova geração conseguiu se mostrar relevante e respeitosa às raízes do sertanejo.
Após a pandemia, o eletrofunk consolidou presença em rodeios, feiras agropecuárias e festivais pelo interior do país. Eventos como o Peão de Barretos, um dos maiores rodeios do Brasil, já incluem DJs e cantores do eletrofunk ao lado de nomes do sertanejo tradicional, atraindo público jovem e promovendo a convivência entre os estilos. DJ Jiraya UAI, por exemplo, participa pela terceira vez consecutiva da festa, dividindo palco com artistas como Eduardo Costa e Paula Fernandes.
Um diferencial do eletrofunk é a divulgação da música via pen drives, que funcionam offline e são amplamente utilizados nos carros de som dos paredões. Essa tecnologia facilita o acesso e a reprodução das faixas em eventos públicos, especialmente em regiões onde a conexão de internet é limitada. DJ Brenno Paixão destaca que muitos DJs e fãs baixam músicas do YouTube para inserir nos pen drives, garantindo qualidade e praticidade nas festas.
MC Jacaré é um nome de destaque do gênero e exemplifica a trajetória de sucesso recente do eletrofunk. Nascido em Goiânia, ele concilia o amor pelo sertanejo com a produção e interpretação de eletrofunk. Jacaré investiu em uma carreira que evita o eixo Rio-São Paulo, mantendo sua base local e abrindo sua produtora, a Croco Hits. Seu trabalho ajudou a tornar o eletrofunk mais visível nacionalmente, com músicas que somam centenas de milhões de plays nas plataformas digitais.
A quebra do preconceito e a visibilidade crescente mostram que o eletrofunk deixou de ser apenas um gênero de nicho periférico e se tornou parte da cena musical brasileira de modo mais abrangente. Artistas e produtores avaliam que o estilo continuará crescendo, ampliando sua influência nas festas, rodeios e entre os fãs de música eletrônica e sertaneja em todo o país.
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Fonte: g1.globo.com
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