Economia

Produtores do Oriente Médio mantêm embarques de petróleo

Produtores do Oriente Médio mantêm embarques de petróleo
  • Publishedjunho 29, 2026

Produtores do Oriente Médio mantêm embarques de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) apesar dos ataques recentes a navios no Estreito de Ormuz, canal estratégico para o comércio global, nas últimas semanas. Mesmo com a escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã e incidentes que impactaram a região, as operações de transporte seguem em atividade.

O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido mundialmente. Na última quinta-feira (25), um navio de contêineres sofreu um ataque, seguido pelo ataque a um petroleiro no sábado (27). Esses episódios geraram retaliações entre Washington e Teerã, ameaçando o acordo de paz provisório entre os dois países.

No domingo (28), uma autoridade americana afirmou que EUA e Irã concordaram em suspender as hostilidades e retomar as negociações sobre a segurança na região. Entretanto, no mesmo dia, um helicóptero da empresa Saudi Aramco caiu, causando 14 mortes, sendo a causa do acidente ainda investigada.

Apesar da queda, a operação de embarques prosseguiu. Na segunda-feira (29), um superpetroleiro de grande porte, com capacidade para transportar 2 milhões de barris, foi visto carregando petróleo no terminal de Ras Tanura, na Arábia Saudita, conforme dados da LSEG, empresa especializada em informações financeiras e de mercado. Outros três superpetroleiros também realizaram carregamento e entraram em “modo oculto” ao deixar o terminal, desligando seus sistemas de rastreamento para evitar possíveis ataques.

Dois desses navios entraram no Estreito de Ormuz no domingo e atracaram em terminais nos Emirados Árabes Unidos para carregar petróleo bruto. Um dos navios reapareceu na segunda-feira após sair do estreito e segue para o Japão. A Saudi Aramco não comentou o caso e a Abu Dhabi National Oil Company informou que não divulga informações sobre rotas ou localização de suas embarcações por política interna.

O Irã intensificou a exportação de petróleo após os Estados Unidos suspenderem por 60 dias as sanções às suas exportações. No sábado (27), Teerã realizou carregamentos simultâneos em seus dois principais terminais de exportação na ilha de Kharg, conforme a empresa de monitoramento marítimo Windward. Superpetroleiros de bandeira iraniana entraram no estreito no mesmo dia, segundo dados da Kpler, empresa especializada em fluxos de petróleo.

Além disso, cerca de 8 milhões de barris de petróleo bruto provenientes dos Emirados Árabes Unidos e Catar foram movimentados em quatro navios semelhantes durante o fim de semana. A Companhia Nacional de Petróleo do Irã não respondeu aos pedidos de comentário.

A maior oferta de petróleo proveniente do Golfo, região que abastece cerca de um terço do mercado global, tem pressionado os preços internacionais. O Brent, principal referência mundial, recuou 10,6% na semana passada, em sua terceira queda consecutiva, embora os ataques recentes tenham provocado alta nos preços na segunda-feira.

Um analista da IG Markets, Tony Sycamore, avaliou que, caso a instabilidade no Estreito de Ormuz persista, os preços do petróleo devem continuar em tendência de queda. Contudo, ele aponta que uma escalada mais ampla do conflito poderá aumentar a cotação do combustível.

No mercado de gás natural liquefeito, os embarques também seguem ativos. Dois navios-tanque vazios retornaram ao oeste do estreito no dia 26 de junho após ficarem temporariamente fora do rastreamento. Simultaneamente, outros dois transportadores carregados deixaram a região.

O navio Al Kharaitiyat saiu do terminal de Ras Laffan, no Catar, rumo ao Kuwait, enquanto o Al Kharsaah permanece ao largo do país, segundo a Kpler. Embarcações controladas pela Abu Dhabi National Oil Company, como o Mraweh, carregaram na ilha de Das, nos Emirados Árabes Unidos, e seguem para a Índia. Outro navio da QatarEnergy, o Al Hamla, está transportando uma carga do Catar para a China.

A QatarEnergy não se pronunciou sobre a movimentação até o fechamento desta reportagem.

Apesar dos ataques e da tensão política, os principais produtores do Oriente Médio mantêm suas operações de exportação de petróleo e GNL, buscando preservar o fluxo energético essencial para o mercado global.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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