Economia

A Índia, que já foi o segundo maior exportador mundial

A Índia, que já foi o segundo maior exportador mundial
  • Publishedjunho 23, 2026

A Índia, que já foi o segundo maior exportador mundial de açúcar, deve ter disponibilidade reduzida de açúcar para exportação por pelo menos as próximas três safras devido ao impacto do El Niño e ao aumento do uso da cana-de-açúcar na produção de etanol. Autoridades, industriais e agricultores indicam que a combinação de condições climáticas adversas e políticas energéticas está levando o país a restringir suas vendas externas.

O fenômeno climático El Niño deve diminuir as chuvas de monção na Índia em 2024, provocando a menor precipitação dos últimos 11 anos. O plantio da cana-de-açúcar foi prejudicado, com agricultores adiando o cultivo e optando por culturas menos dependentes de água, como soja e leguminosas. O governo começou a incentivar essas culturas alternativas e restringiu o uso da água para irrigação.

A produção de açúcar na safra 2024-25 está estimada em 27,9 milhões de toneladas, abaixo do consumo interno previsto em cerca de 28,5 milhões de toneladas. Isso indica que as usinas indiano terão estoques mais baixos, estimados em 3,5 milhões de toneladas no início da safra, o nível mais baixo em três décadas.

Além das questões climáticas, o aumento da demanda por etanol está reduzindo a disponibilidade de cana para a produção de açúcar. A Índia tem promovido a mistura de etanol à gasolina e a adoção de veículos flex-fuel para diminuir a dependência de petróleo importado. A expectativa é que o consumo de etanol dobre até 2039-2040, impulsionando a utilização de matéria-prima para este fim em detrimento das exportações de açúcar.

Este ano, a Índia exportou cerca de 800 mil toneladas de açúcar antes de suspender as vendas até o fim da safra, em setembro. Essa suspensão ocorre por meio da exigência de autorização do governo às usinas para exportar, um processo que deve ser repetido em cada safra futura ao invés de uma proibição contínua, conforme informações de fontes governamentais e do setor.

A retirada prolongada da Índia do comércio mundial deve afetar os preços globais, uma vez que o país respondia por cerca de 10% das exportações mundiais, com uma média anual de 6,8 milhões de toneladas métricas nos últimos cinco anos. O Brasil, o maior exportador mundial, e a Tailândia também podem ver suas produções de açúcar afetadas pelas condições climáticas associadas ao El Niño, ampliando os impactos para o mercado internacional.

No contexto interno, o açúcar é uma commodity sensível para a Índia, maior consumidor mundial, onde seu preço e disponibilidade influenciam diretamente a alimentação de muitas famílias de baixa renda. O governo prioriza o abastecimento doméstico e desencoraja pressões das usinas por maior participação nas exportações diante de perspectivas de menor produção.

A redução nas exportações indianas aliada ao aumento da demanda interna e à menor oferta global devem gerar pressões sobre os preços internacionais do açúcar nos próximos anos. Especialistas indicam que, mesmo com o Brasil e a Tailândia enfrentando desafios produtivos, a demanda mundial poderá manter os preços em alta.

Até o momento, o Departamento de Alimentação, Abastecimento Civil e Assuntos do Consumidor da Índia não comentou publicamente sobre as mudanças nas exportações ou políticas relacionadas ao açúcar.

Em resumo, o impasse entre as condições climáticas adversas provocadas pelo El Niño e a crescente demanda por etanol na Índia está configurando uma redução significativa na oferta de açúcar comercializada no mercado global, com efeitos diretos sobre os preços internacionais e os fluxos comerciais nos próximos anos.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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