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O economista britânico John Maynard Keynes previu, em

O economista britânico John Maynard Keynes previu, em
  • Publishedjunho 22, 2026

O economista britânico John Maynard Keynes previu, em 1930, que as sociedades do futuro trabalhariam apenas 15 horas por semana, baseando-se no avanço tecnológico e no crescimento econômico. Ele publicou o ensaio “Possibilidades Econômicas para Nossos Netos” durante a Grande Depressão, ao afirmar que o progresso tecnológico permitiria reduzir drasticamente as jornadas de trabalho e ampliar o padrão de vida.

Keynes acreditava que a combinação do acúmulo de capital, juros compostos e inovações científicas geraria crescimento econômico contínuo, suficiente para solucionar a escassez material histórica. O economista via a crise econômica da época como um período transitório, provocado pela rápida transformação que a tecnologia impunha ao mercado de trabalho, gerando desemprego temporário.

O ponto central da visão de Keynes era que, com as necessidades básicas atendidas, a humanidade teria mais tempo livre para cultivar valores como cultura, lazer e desenvolvimento pessoal, em uma sociedade menos centrada na acumulação de riqueza. Ele estimava que jornadas semanais de 15 horas seriam suficientes para o funcionamento social e econômico, permitindo maior qualidade de vida aos trabalhadores.

Especialistas como a economista Patrícia Pelatieri, do DIEESE, ressaltam que a previsão keynesiana representava um horizonte otimista sobre a relação entre progresso técnico e trabalho. Já o sociólogo Paulo Niccoli Ramirez indica que a ideia desafiava o dogma do aumento do trabalho como sinônimo de riqueza, propondo que o avanço da tecnologia poderia reduzir a carga horária sem prejuízo econômico.

Apesar dos avanços tecnológicos expressivos desde então, o cenário de jornadas de trabalho curtas não se concretizou. O cientista político Christian Lohbauer, da USP, aponta que Keynes não previu o crescimento paralelo do consumo, que demanda mais tempo de trabalho para ser sustentado. Assim, a busca por mais bens e serviços resulta em jornadas ainda extensas.

Pelatieri destaca que a ampliação das necessidades humanas, impulsionada pelo capitalismo, expandiu o conceito de bens essenciais para incluir tecnologia, internet e serviços digitais. Além disso, os ganhos com produtividade não foram distribuídos de forma igualitária, concentrando renda e lucros em uma parcela reduzida da população.

O sociólogo Ramirez afirma que os avanços tecnológicos reduziram trabalhos repetitivos, mas não resultaram em menos horas trabalhadas ou em melhores condições, já que a exploração da força de trabalho permanece central no capitalismo. Para ele, a expectativa de Keynes era incompatível com as dinâmicas de poder e distribuição vigentes.

Ramos, jurista e ex-Desembargador do Trabalho, aponta que Keynes defendia o capitalismo regulado pelo Estado, com políticas públicas que corrigissem crises e promovesse emprego estável. Sua escola econômica fundamenta-se na ideia de intervenção estatal para garantir equilíbrio e pleno emprego, reconhecendo que o mercado, sozinho, não assegura esses objetivos.

A falta da redução nas jornadas de trabalho está ligada também ao aumento dos padrões de consumo, à desigualdade na distribuição dos frutos do progresso e à expansão de setores econômicos que demandam mais tempo e esforço humano, como serviços e trabalho intelectual. Essa dinâmica impede a tradução do crescimento produtivo em mais lazer e menos trabalho.

O ensaio de Keynes, mais do que uma previsão econômica, é uma reflexão sobre os impactos sociais e culturais da abundância material. Ele imaginava um futuro em que o avanço tecnológico permitisse às pessoas dedicar mais tempo à educação, cultura e convivência, promovendo uma nova forma de realização pessoal além da sobrevivência e da acumulação de riqueza.

Embora a produtividade cresça expressivamente, a redução drástica da jornada de trabalho não ocorreu. Isso revela limitações estruturais no sistema econômico e social atuais, que mantêm jornadas longas e distribuem os benefícios do progresso de modo desigual. Desse modo, o desafio keynesiano sobre o uso do tempo livre permanece sem solução definitiva.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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