Economia

Antigas vendinhas do interior de São Paulo resistem

Antigas vendinhas do interior de São Paulo resistem
  • Publishedjunho 21, 2026

Antigas vendinhas do interior de São Paulo resistem às mudanças do campo e das grandes redes comerciais, mantendo tradições e laços comunitários. Estabelecimentos com décadas de funcionamento, como os de Três Fronteiras e Nova Canaã Paulista, preservam memórias locais e continuam atraindo moradores e turistas.

Na Estrada 12, em Três Fronteiras, uma vendinha aberta há cerca de 40 anos permanece em atividade. O agricultor Antônio Scarabeli, fundador do local, relembra que a região era marcada pela presença de pequenos sitiantes e cafezais. Com o fim do cultivo de café e o avanço da cana-de-açúcar, parte da população se afastou, mas o comércio manteve o movimento com produtos diversos.

O filho de Antônio, Dimar Aparecido Scarabeli, destaca que o estabelecimento já foi o principal centro comercial da região, com grande volume de vendas semanais de itens como farinha e açúcar. Hoje, o foco mudou para produtos artesanais, como conservas, queijos e doces feitos por Nádia Maria Freitas Scarabeli, que atraem visitantes em busca de sabores e tradições do interior paulista.

Para muitas pessoas, visitar essas vendinhas é rememorar o passado. A cliente Mariene Maia frequenta o comércio desde a infância, quando acompanhava familiares da zona rural. Ela ressalta que o contato com o lugar ajuda a resgatar raízes e manter viva a história local.

O historiador Silvio Luiz Lofego observa que as vendinhas desempenham papel importante na preservação da memória rural. Segundo ele, elas funcionam como espaços de resistência em um contexto onde muitas comunidades rurais desapareceram ou perderam suas características ao longo do tempo, mantendo a convivência e a identidade locais.

A história de resistência se repete em Nova Canaã Paulista, a aproximadamente 30 quilômetros de Três Fronteiras. No Bairro do Louro, uma vendinha com quase 70 anos de funcionamento é administrada há 42 anos por Paulo Francisco Araújo e Sônia Maria Andrade Araújo. Paulo afirma que, embora muitas vendas tenham fechado, o local continua em operação, similar a um mercadinho que atende às necessidades da comunidade.

Além da variedade de mercadorias, a venda em fiado é prática ainda mantida pelo casal, um costume em declínio. Paulo relata que essa forma de comércio contribuiu para apoiar famílias da região e foi fundamental para o sustento e criação de seus filhos.

O estabelecimento também é cenário de uma história pessoal. Paulo e Sônia se conheceram na vendinha há mais de 50 anos e construíram amizades duradouras com clientes que hoje são considerados parte da família. Sônia destaca que esses laços fortalecem o papel social do comércio tradicional.

Essas vendinhas refletem uma tradição que atravessa gerações, fortalecendo vínculos comunitários e mantendo acesa a memória cultural do interior paulista. Elas resistem ao tempo não apenas como pontos de comércio, mas como lugares de encontro e preservação histórica.

Palavras-chave: vendinhas, interior de São Paulo, tradição rural, conserva artesanal, comércio local, fiado, memória rural, comunidade, Três Fronteiras, Nova Canaã Paulista

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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