O petróleo recuperou as perdas iniciais nesta sexta-feira (16), após o cancelamento de um encontro entre Estados Unidos e Irã na Suíça, que gerou incertezas sobre as negociações em curso para a normalização das relações e o reabastecimento do Estreito de Ormuz. A decisão veio após o vice-presidente americano, JD Vance, suspender a viagem para negociações com o Irã.
Na Ásia, as bolsas reverteram os ganhos da manhã e encerraram o dia em queda, com investidores realizando lucros depois das altas recordes recentes no Japão e na Coreia do Sul. O índice Nikkei do Japão caiu 0,6%, reduzindo sua alta semanal para 7%. A Coreia do Sul recuou 1,8%, mantendo um ganho acumulado de 9,5% na semana. As bolsas da China continental, Hong Kong e Taiwan ficaram fechadas em função de feriados.
Na Europa, as bolsas devem abrir em baixa, refletindo o cenário de cautela no mercado global. Os futuros paneuropeus caíram 0,6%, enquanto os futuros da Nasdaq recuaram 0,9%, afetados pela notícia do cancelamento das negociações entre EUA e Irã.
No Oriente Médio, as Forças Armadas de Israel realizaram ataques durante a madrugada contra militantes do Hezbollah e instalações no sul do Líbano, intensificando a tensão na região. Em paralelo, petroleiros começaram a transitar pelo Estreito de Ormuz, após os Estados Unidos suspenderem o bloqueio ao Irã no dia anterior, facilitando o comércio marítimo na rota estratégica.
Os preços do petróleo Brent e do West Texas Intermediate (WTI) registraram alta após o encontro cancelado. O WTI subiu 0,8%, alcançando US$ 77,23 o barril, embora ainda acumule perdas na semana. A recuperação dos preços ocorre em meio a dúvidas sobre a durabilidade do acordo preliminar firmado entre EUA e Irã, que prevê o fim das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Analistas destacam que, apesar do avanço nas negociações, o petróleo deverá enfrentar volatilidade consistente com o atual cenário geopolítico. Segundo especialistas da RBC Capital Markets, o fluxo constante de notícias relacionadas ao acordo pode dificultar uma estabilização mais firme dos preços. Eles também alertam para a possibilidade de a reabertura do Estreito seguir um ritmo lento, semelhante ao observado no Mar Vermelho após um acordo similar em 2025, onde o tráfego marítimo ainda está 50% abaixo dos níveis pré-crise.
No mercado cambial, o dólar americano atingiu a maior valorização em 13 meses frente às principais moedas, impulsionado pela postura mais agressiva do Federal Reserve em relação às taxas de juros. O presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou o compromisso com a estabilidade de preços, o que levou nove dos 19 membros do banco central a sinalizar aumentos adicionais das taxas neste ano.
O índice do dólar subiu 1,3% na semana, alcançando 101,07 pontos, enquanto o iene atingiu 161,4 por dólar, o menor patamar desde julho de 2024. A libra esterlina recuou 0,3%, situando-se em US$ 1,3168 após uma queda de 0,7% na noite anterior, contexto influenciado pela decisão do Banco da Inglaterra em manter as taxas de juros estáveis.
Nas eleições locais do Reino Unido, o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, foi reeleito na sexta, o que pode ter implicações políticas para o cenário nacional, especialmente na disputa pela liderança do Partido Trabalhista.
Nos mercados financeiros, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA apresentaram movimentos divergentes, com os papéis de curto prazo subindo e os de longo prazo caindo. Os títulos de dois anos avançaram para 4,1790%, enquanto os vencimentos de 10 e 30 anos diminuíram para 4,4510% e 4,9010%, respectivamente. As negociações nos mercados de títulos nos Estados Unidos estiveram limitadas devido ao feriado de Juneteenth.
A valorização do dólar pressionou os metais preciosos, com o ouro à vista caindo 1,9% para US$ 4.129 a onça e a prata recuando 3,6%, a US$ 63,4 a onça.
O cenário atualizado indica que o mercado segue atento às negociações entre EUA e Irã, à dinâmica do Estreito de Ormuz e aos ajustes nas políticas monetárias globais, que influenciam diretamente os preços do petróleo, moedas e ativos financeiros.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

