O dólar abriu em alta na manhã desta quinta-feira (18)

O dólar abriu em alta na manhã desta quinta-feira (18), cotado a R$ 5,1406, um avanço de 0,65%, influenciado pela decisão do Banco Central brasileiro de reduzir a taxa básica de juros (Selic) e pela manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos. O novo acordo de paz entre EUA e Irã, assinado na quarta-feira (17), também impacta o mercado cambial e a expectativa global.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, decisão unânime e conforme esperado pelo mercado. O comunicado destacou a incerteza no cenário externo e a necessidade de cautela em meio à volatilidade dos preços de ativos e commodities.
Nos Estados Unidos, o Fed manteve as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, na primeira reunião sob presidência de Kevin Warsh. O banco central americano apontou uma postura mais cautelosa em relação à inflação, sem indicar flexibilização. O cenário de juros elevados nos EUA tem atraído investidores estrangeiros para ativos americanos, valorizando o dólar frente a outras moedas, como o real, e pressionando a bolsa brasileira.
Especialistas avaliam que a manutenção da política monetária nos EUA, junto ao corte moderado da Selic, reforça a expectativa de juros altos no Brasil por mais tempo, o que pode limitar o crescimento econômico ao encarecer o crédito. O dólar mais caro também eleva os preços de importados, impactando a inflação doméstica, especialmente em combustíveis e eletrônicos.
O acordo de paz entre EUA e Irã, firmado na última quarta-feira entre os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, inclui compromissos como a não obtenção de armas nucleares pelo Irã, suspensão gradual das sanções americanas, reabertura do Estreito de Ormuz e cessar-fogo por 60 dias em várias frentes, incluindo o Líbano. Apesar do acordo, Trump alertou que pode retomar ataques caso fique insatisfeito com o cumprimento do tratado.
No mercado internacional, o preço do petróleo caiu diante da expectativa de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. O barril do Brent recuou 1,51%, negociado a US$ 78,35, enquanto o WTI teve queda de 2,14%, cotado a US$ 75,15.
Em Wall Street, os principais índices fecharam em baixa na quarta-feira: o Dow Jones caiu 0,96%, o S&P 500 recuou 1,19% e o Nasdaq Composite caiu 1,32%, refletindo cautela dos investidores após a decisão de juros do Fed. Na Europa, os mercados acionários encerraram em alta, com o índice pan-europeu STOXX 600 subindo 0,5%, embora o francês CAC 40 tenha apresentado leve queda. Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em alta, especialmente no setor de tecnologia.
No Brasil, o Ibovespa inicia o pregão às 10h e acumula queda semanal de 1,73% e mensal de 3,23%, apesar de apresentar alta acumulada de 4,38% no ano.
O cenário macroeconômico nacional continua caracterizado por sinais de aceleração da atividade econômica e mercado de trabalho aquecido, fatores que contribuem para a pressão inflacionária e influenciam as decisões da política monetária.
O resultado da política de juros do Banco Central e o contexto externo, marcado pela decisão do Fed e o acordo entre EUA e Irã, tendem a continuar movimentando o câmbio e os mercados locais nos próximos dias.
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Fonte: g1.globo.com
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