A indústria brasileira de café solúvel vai defender

A indústria brasileira de café solúvel vai defender o produto em audiência pública nos Estados Unidos, marcada para 6 de julho, em Washington, contra as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O café solúvel é o único tipo da bebida que não foi incluído nas isenções da última rodada de tarifaço, situação que preocupa o setor.
As tarifas, que podem chegar a 37,5%, fazem parte de uma série de medidas que os EUA aplicam desde junho de 2023 para combater questões como desmatamento ilegal, trabalho forçado e pirataria. O setor destaca que cafés em grão, torrado, moído e até o solúvel aromatizado foram excluídos da tributação, apenas o café solúvel tradicional permanece taxado.
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) afirma que a exclusão do café solúvel tradicional pode ter origem em erro na classificação dos códigos das mercadorias ou representar uma tentativa americana de reindustrializar o setor interno. Segundo Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics, mesmo com investimento nos Estados Unidos, seria necessário importar a matéria-prima e que a instalação de indústrias desse tipo leva de quatro a cinco anos.
A audiência pretende permitir que o Brasil e demais interessados apresentem argumentos técnicos e econômicos para revisão das tarifas. Além da audiência, a Abics prepara um documento escrito a ser enviado até 1º de julho, prazo estipulado pelos EUA para manifestação. O setor aponta que a produção doméstica americana representa apenas 6% do café solúvel consumido no país, com o Brasil respondendo por 37% das importações em 2024.
A imposição das tarifas já afetou o comércio, com uma sobretaxa de 50% entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024 que diminuiu as vendas brasileiras nos Estados Unidos. Em fevereiro, apesar de rejeição do Congresso à sobretaxa, uma tarifa global de 10% foi instituída e deve expirar em julho, podendo ser substituída pelas novas taxas propostas.
O aumento das tarifas pode impactar a inflação do café solúvel nos EUA, que já registrou alta de 24% em maio, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. Lima ressalta que o café solúvel é relevante para a economia americana, pois o processamento final, como envase e distribuição, ocorre localmente, gerando emprego.
O contexto das tarifas está inserido em negociações mais amplas entre Brasil e Estados Unidos, envolvendo temas como minerais críticos, tecnologias digitais e outras áreas econômicas estratégicas. O setor de café solúvel reconhece a complexidade da situação, mas defende a necessidade de isenção dada a importância do produto para o comércio bilateral.
A participação brasileira na audiência, com apresentações curtas e documentos técnicos, busca evitar impactos negativos para a indústria nacional e pressionar por uma revisão das medidas que persistem desde o ano passado. O setor acompanha ainda o desenrolar das discussões e evidências para fundamentar seus argumentos.
—
Palavras-chave para SEO:
café solúvel, tarifaço EUA, indústria de café brasileira, audiências públicas, Donald Trump, importação de café, tarifa alfandegária, comércio Brasil-EUA, inflação do café, Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel, Abics, tarifa de importação, café solúvel taxado, mercado americano de café.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com