Moradores de Vlkolínec, na Eslováquia, e da Área

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Moradores de Vlkolínec, na Eslováquia, e da Área de Conservação de Ngorongoro, na Tanzânia, pedem a retirada dos seus territórios da Lista de Patrimônio da Humanidade da Unesco, questionando os impactos do turismo e das políticas de preservação sobre suas vidas. Essas solicitações ilustram os desafios emergentes entre a conservação internacional e os interesses das comunidades locais em locais protegidos em todo o mundo.

Vlkolínec, um vilarejo medieval nas montanhas da Eslováquia central, é reconhecido pela Unesco desde 1993 por sua arquitetura preservada. O local atrai cerca de 100 mil visitantes anuais, apesar de ter apenas 20 moradores permanentes vivendo em 45 casas históricas. Alguns residentes afirmam que a designação trouxe mais dificuldades do que vantagens, inclusive pela pressão do turismo.

Na Tanzânia, a Aliança Internacional de Solidariedade Maasai pediu a remoção da Área de Conservação de Ngorongoro, famosa por sua rica vida selvagem e experiéncias de safári, alegando que as políticas de conservação resultaram no deslocamento de comunidades pastoris de suas terras ancestrais. Essa região é um ponto emblemático da África, porém a proteção internacional tem limitado o uso tradicional das terras.

A Unesco mantém atualmente 1.248 sítios designados em 170 países, incluindo marcos conhecidos como Machu Picchu e a Grande Muralha da China, além de locais menos turísticos. No Brasil, 23 patrimônios possuem essa classificação, entre eles os centros históricos de Salvador, Olinda e Ouro Preto. O programa surgiu após a Segunda Guerra Mundial para proteger bens culturais e naturais ameaçados por conflitos e desenvolvimento.

A designação pela Unesco pode desbloquear fundos internacionais e elevar a visibilidade turística desses locais. No entanto, o aumento no número de visitantes nem sempre é gerido de forma a beneficiar as comunidades locais. Especialistas apontam que a inclusão na lista costuma resultar em crescimento turístico, o que pode gerar pressões sobre infraestrutura e sobre a qualidade de vida dos habitantes.

Cidades como Veneza, na Itália, e Lijiang, na China, enfrentaram problemas decorrentes do turismo excessivo, incluindo a saída de moradores e a transformação de áreas residenciais em espaços voltados para visitantes. Esse fenômeno, chamado de “museificação”, caracteriza a alteração da dinâmica social e econômica das comunidades para atender ao turismo, levantando questões sobre autenticidade e conservação.

O papel da Unesco evoluiu para reconhecer que o turismo pode ser tanto um desafio quanto uma oportunidade para a preservação. Atualmente, a organização recomenda que locais protegidos adotem planos de gestão para lidar com a superlotação e proteger áreas sensíveis, buscando equilibrar conservação e visitação pública.

No entanto, a Unesco não possui um mecanismo formal para mediar conflitos relacionados aos efeitos sociais da designação, como o impacto na vida dos moradores. A organização avalia e pode classificar locais como “em perigo” por danos ambientais ou urbanos, mas não por causas relacionadas à pressão turística causada pela própria valorização do sítio.

Até hoje, apenas três locais foram removidos da lista da Unesco, sempre por questões de conservação: o Santuário do Órix-da-Arábia, em 2007, o Vale do Elba, em 2009, e a Cidade de Liverpool, em 2021. Nenhum desses casos teve a motivação ligada à insatisfação das comunidades locais ou ao turismo.

Especialistas afirmam que a solução para os problemas relacionados à designação passa por um planejamento de conservação que envolva economia, localização e as necessidades da população. Além disso, destacam que preservar um patrimônio cultural ou natural não significa necessariamente preservar a comunidade que ali vive, o que pode exigir abordagens específicas e diferenciadas.

O debate sobre a retirada de localidades da Lista do Patrimônio da Humanidade revela tensões entre interesses globais de preservação e as demandas locais por qualidade de vida e uso sustentável das terras. Esse cenário reforça a necessidade de políticas que conciliem proteção ambiental e cultural com respeito às comunidades residentes.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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