O ministro espanhol da Indústria e do Turismo, Jordi Hereu, alertou na segunda-feira (27) que a guerra no Oriente Médio pode provocar uma alta nos preços das passagens aéreas em 2026, especialmente durante o verão no hemisfério norte, devido ao aumento do custo do querosene de aviação. A recomendação foi feita em entrevista ao jornal Expansion, com o objetivo de incentivar a compra antecipada de bilhetes.
Hereu destacou que o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã eleva o preço do petróleo e do combustível para aviões, o que pode pressionar tarifas para cima e afetar a demanda por voos de média e longa distância. Segundo o ministro, as companhias aéreas ainda utilizam querosene comprado previamente, mas essa proteção tem prazo para acabar, aumentando o risco de aumentos repentinos.
A Espanha registrou em 2025 um recorde de 97 milhões de turistas, aumento de 3,5% em relação a 2024, consolidando-se como um dos principais destinos turísticos do mundo. O crescimento do setor em 2026 depende, entretanto, da estabilidade no preço do combustível, que está submetida a fatores externos.
Além do impacto sobre os preços das passagens, autoridades espanholas e europeias já trabalham para evitar uma possível escassez de querosene, encarando o problema como estrutural. Segundo a organização Transport & Environment, a alta no preço do petróleo já adicionou cerca de US$ 100 ao custo de passagens em voos de longa distância partindo da Europa.
A crise começou a afetar operações no mercado real. A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France-KLM, anunciou cancelamentos em até 2% da sua malha aérea programada para maio e junho de 2026, motivados pelo aumento do valor do querosene. Os clientes afetados recebem notificações e opções de remarcação ou reembolso.
Michael O’Leary, diretor-executivo da Ryanair, ressaltou que, enquanto maio deve ter estoque suficiente de combustível, junho é um mês incerto. Segundo ele, petroleiras não garantem o abastecimento total nesse período, principalmente pelo bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irã.
O executivo relacionou os preços elevados à condução do conflito, afirmando que cerca de 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco. O Reino Unido aparece como um dos países mais vulneráveis devido à dependência do fornecimento de querosene do Kuwait, afetado pelo bloqueio.
Na França, o governo declarou que, por ora, não há dificuldades imediatas para o abastecimento, mas considera liberar estoques estratégicos caso necessário, segundo a porta-voz Maud Bregeon. Ainda assim, a incerteza aumenta, sobretudo para o mês de junho.
A dependência europeia do Golfo Pérsico é um fator crítico. Cerca de metade do querosene usado na Europa vem dessa região, que sofre impactos diretos devido à guerra. O estreito de Ormuz concentra cerca de 20% da produção mundial de hidrocarbonetos e está bloqueado, limitando o transporte essencial para o setor aéreo.
Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando rapidamente de uma possível crise de suprimentos, podendo enfrentar um verão com passagens aéreas mais caras e cancelamentos de voos.
A situação mantém governos e companhias em alerta, diante do risco de impactos econômicos e logísticos provocados pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

