O arquiteto Antoni Gaudí morreu há 100 anos, em 10

O arquiteto Antoni Gaudí morreu há 100 anos, em 10 de junho de 1926, em Barcelona, após ser atropelado por um bonde e não receber ajuda imediata por ter sido confundido com um sem-teto. Gaudí, conhecido por projetar a Basílica da Sagrada Família, sofreu ferimentos graves e faleceu três dias depois do acidente.
Na noite do atropelamento, pouco antes de sua morte, Gaudí caminhava pela Gran Via de les Corts Catalanes, quando um bonde o atingiu. Outro bonde se aproximava na direção contrária, o que impediu que ele se desviasse completamente. O impacto o deixou inconsciente na via, e a maioria dos transeuntes não ofereceu auxílio, atribuindo sua aparência a um morador de rua.
Apenas duas pessoas tentaram socorrer Gaudí, requisitando um táxi para levá-lo ao hospital, mas os motoristas se recusaram quatro vezes. Somente após a intervenção de um guarda civil, que forçou a parada de um quinto táxi, Gaudí foi levado ao dispensário da Ronda de San Pedro. Lá, os médicos constataram várias fraturas e um sangramento no ouvido, e notaram que ele não carregava documentos, apenas um livro dos Evangelhos, um rosário, um lenço e uma chave.
Gaudí foi transferido para o hospital Santa Creu, ainda com status de indigente. Só no dia seguinte foi reconhecido pelo capelão da Sagrada Família, obra que ele estava construindo desde 1883 e que viria a se tornar um dos principais pontos turísticos e símbolos religiosos da Catalunha e da Espanha. O arquiteto tinha 73 anos.
Durante os três dias de internação, Gaudí permaneceu em estado grave e morreu no dia 10 de junho de 1926. A notícia da morte de um “homem anônimo” se espalhou rapidamente pelas ruas de Barcelona. Seu funeral atraiu uma multidão e o cortejo seguiu até o canteiro da Sagrada Família, onde ele foi enterrado na cripta do templo. Até hoje, seus restos mortais permanecem no local.
Conhecido como “arquiteto de Deus”, Gaudí foi profundamente religioso e com seu trabalho buscava expressar sua fé cristã. A obra mais famosa de sua carreira, a Sagrada Família, foi consagrada em 2010 pelo papa Bento 16, quase um século após a morte do arquiteto. O templo ainda está em construção, com previsão de conclusão para 2032.
Gaudí nasceu em 1852 e mudou-se para Barcelona em 1868 para estudar arquitetura. Ele se tornou o principal representante do modernismo catalão e criou outras obras importantes como o Parque Güell, a Casa Milà e a Casa Battló, que, junto com a Sagrada Família, foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Apesar do sucesso profissional, Gaudí viveu de forma simples e adotou hábitos considerados excêntricos, tendo uma vida austera e solitária. Segundo biógrafos, apaixonou-se uma única vez, sem ser correspondido, e nunca se casou. Seus dias frequentemente incluíam longas caminhadas, inclusive no dia do acidente, quando ia visitar seu confessor na igreja San Felipe Neri.
O reconhecimento oficial de Gaudí pela Igreja Católica avança com sua proclamação como venerável, um passo importante rumo à beatificação e possível canonização. Esse processo exige o reconhecimento de milagres pelo Vaticano, o que pode levar anos para ser concluído.
O episódio final da vida de Gaudí revela a negligência e o preconceito sofridos por ele, mesmo sendo o responsável por um dos maiores ícones arquitetônicos e religiosos da Espanha. Seu legado, porém, permanece vital para a cultura e a arquitetura mundial.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com