Famílias de diferentes regiões do Brasil denunciam fraude

Famílias de diferentes regiões do Brasil denunciam fraude em financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal, em que construtoras receberam os recursos destinados à construção das casas, mas não concluíram as obras. Apesar de anos de pagamentos e liberação de grandes valores pelo banco, os imóveis continuam inacabados ou não avançaram conforme relatado nos laudos técnicos.
O casal Isael e Marcela contratou um financiamento entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para erguer sua casa própria. Três anos após o início da obra, o terreno permanece abandonado. Relatórios apresentados à Caixa indicavam que mais de 80% da construção estava pronta, mas perícia constatou falsificação nas assinaturas e que menos da metade da obra havia sido realizada. Após suspeitar da fraude, o casal interrompeu os pagamentos e foi informado da possibilidade de leilão do imóvel para quitar a dívida.
Situações semelhantes ocorreram em outras cidades. Em Alvorada (RS), Guilherme e Bruna financiaram R$ 290 mil para uma casa que foi abandonada poucos meses depois. Apesar disso, a construtora recebeu mais de R$ 200 mil, e os relatórios enviados ao banco indicavam conclusão de etapas como cobertura e instalações elétricas, que nem haviam sido iniciadas. O responsável, que também se apresentava como funcionário da Caixa, foi demitido, mas ainda não há condenação judicial.
Os prejuízos financeiros dos afetados são consideráveis. Guilherme acumula dívida superior a R$ 200 mil com o banco, além dos R$ 62 mil pagos diretamente à construtora. Em Pernambuco, outro casal denunciou uma construtora por cobrança acima do valor executado na obra; o proprietário foi condenado por estelionato, com prejuízos que ultrapassam R$ 126 mil.
Os contratos de financiamento responsabilizam o cliente pela administração dos pagamentos. A Caixa informa que, em caso de fraude, considera tratar-se de questão entre cliente e construtora, mas investiga possíveis irregularidades envolvendo seus funcionários. Especialistas afirmam que falsificações em laudos técnicos poderiam ter sido detectadas com uma fiscalização mais rigorosa.
Alguns casais conseguiram concluir as casas após perceberem as fraudes, com recursos próprios e apoio familiar. Renata e Michel investiram mais de R$ 386 mil antes de identificar irregularidades e só finalizaram a obra depois de novos empréstimos e auxílio da família. Eles seguem enfrentando dificuldades financeiras, mas conseguiram dar continuidade ao projeto.
Em nota, a construtora Âmbar Prumo afirma que realizou todas as obras conforme as normas da Caixa e que responderá às acusações na Justiça. O ex-funcionário da Caixa ligado à construtora Vitro Viana, Pedro André Marchesi Cecegolo, nega causar prejuízo e recorre na Justiça do Trabalho contra a demissão. O dono da Multicons, condenado por estelionato, declara que investiu integralmente os valores recebidos na obra e também recorre da decisão.
Casos como esses evidenciam falhas na supervisão dos financiamentos habitacionais e revelam os desdobramentos financeiros e emocionais para as famílias que enfrentam longos anos sem acesso à casa própria, apesar dos recursos liberados pelo banco.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com