Carros modernos coletam dados íntimos dos motoristas e passageiros, causando preocupações sobre privacidade e uso dessas informações. Montadoras e empresas parceiras obtêm detalhes como localização, comportamento ao volante, informações biométricas e até dados sensíveis, sem que muitos consumidores saibam ou autorizem integralmente essa coleta.
Os veículos atuais funcionam como computadores conectados à internet, com sensores e câmeras que monitoram desde a velocidade e uso do cinto de segurança até quem está no carro e o que é reproduzido no sistema de som. Algumas empresas chegam a captar características físicas, como peso, idade, raça e expressões faciais, por meio de equipamentos internos.
Além das montadoras, seguradoras figuram entre os principais compradores desses dados para ajustar valores de apólices com base no perfil de condução. A comercialização ocorre frequentemente sem transparência ou consentimento claro dos consumidores, que em geral só aceitam políticas de privacidade sem ler os termos.
Uma investigação da Mozilla identificou que nenhuma das 25 marcas de automóveis avaliadas adotou práticas adequadas de proteção à privacidade, sendo os carros considerados a pior categoria de produto nesse aspecto. As políticas das fabricantes incluem permissão para coletar uma ampla gama de dados, até mesmo aqueles associados à saúde ou aspectos pessoais, embora algumas empresas afirmem que apenas reproduzem definições legais desses dados sensíveis.
Nos Estados Unidos, órgãos reguladores já tomaram medidas contra algumas montadoras por venda indevida de dados, impondo restrições temporárias. Contudo, outras empresas continuam comercializando informações adquiridas de fabricantes e aplicativos, e não há leis federais abrangentes para controlar o uso desses dados. A situação na Europa apresenta regulação mais rígida, mas não resolve completamente o problema, segundo especialistas.
Uma nova lei nos EUA vai exigir que carros instalem câmeras biométricas e sistemas de monitoramento para detectar se o motorista está alcoolizado ou cansado. Essa medida visa aumentar a segurança, mas não prevê regras claras sobre o destino dos dados coletados, gerando preocupações sobre o uso futuro das informações, que podem incluir dados comparáveis a registros médicos.
Para reduzir os riscos à privacidade, especialistas indicam evitar programas de telemetria vinculados a seguros e lidar com as configurações de privacidade disponíveis nos veículos e aplicativos. Países como Brasil, União Europeia e Reino Unido permitem que consumidores solicitem acesso, exclusão ou bloqueio de venda dos seus dados, conforme leis locais.
O avanço tecnológico dos carros conectados amplia benefícios como maior segurança e conforto, mas também multiplica os desafios relacionados à segurança dos dados pessoais. Até que regulamentações mais rigorosas sejam estabelecidas, especialistas alertam que os consumidores devem estar atentos e adotar medidas para proteger suas informações.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

