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A Justiça Federal determinou a soltura do funkeiro

A Justiça Federal determinou a soltura do funkeiro
  • Publishedmaio 13, 2026

A Justiça Federal determinou a soltura do funkeiro MC Ryan SP, preso preventivamente desde abril na Operação Narco Fluxo, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (13) pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), e impõe medidas cautelares como a entrega do passaporte e a proibição de deixar o país sem autorização judicial.

MC Ryan SP, cujo nome de registro é Ryan Santana dos Santos, foi identificado pela Polícia Federal como líder e beneficiário final da organização criminosa, que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas internacionais. A investigação também envolve rifas digitais e apostas ilegais, além da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

A decisão da desembargadora ressalta que não existem elementos suficientes para a manutenção da prisão preventiva, uma vez que nenhum dos investigados foi formalmente denunciado até o momento. Ela também citou a ausência de provas para formar a opinio delicti e criticou o uso da prisão cautelar como instrumento para facilitar investigações, já que não há demonstração de que MC Ryan SP pudesse interferir no andamento do processo.

Além da soltura, a Justiça impôs ao funkeiro medidas cautelares que incluem comparecimento a todos os atos do processo, comunicação de eventuais mudanças de endereço, comparecimento mensal em juízo e restrição de saída da cidade por mais de cinco dias sem autorização judicial. A entrega do passaporte é obrigatória para quem possuir o documento.

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada em abril pela Polícia Federal e resultou na prisão preventiva de MC Ryan SP e de outras pessoas ligadas ao esquema, entre elas o funkeiro MC Poze do Rodo e o empresário Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. Segundo a PF, o grupo usava empresas do setor musical e de entretenimento para ocultar recursos ilícitos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

O inquérito também apontou que o contador Rodrigo de Paula Morgado foi peça-chave na organização, responsável por transferências bancárias e gerenciamento financeiro, além da ocultação patrimonial e evasão fiscal. Outros investigados foram apontados como operadores logísticos e “testas de ferro”, responsáveis pela administração de bens ligados ao esquema.

Durante as investigações, a Polícia Federal apreendeu veículos de luxo, relógios, joias, armas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores que podem alcançar até R$ 1,63 bilhão, além do bloqueio de criptomoedas em corretoras nacionais e internacionais.

A defesa do MC Ryan SP afirmou que todas as transações financeiras do cantor são lícitas e que ainda não teve acesso aos autos do processo. A defesa também destacou a ilegalidade das prisões temporárias, considerada medida que excedeu os prazos previstos em lei.

Embora MC Ryan SP tenha sido solto, a Justiça manteve a prisão preventiva de outros envolvidos na investigação, como MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira e mais 33 pessoas, entre operadores financeiros, divulgadores e responsáveis pela estrutura da organização criminosa.

A Operação Narco Fluxo tem origem em investigações anteriores, como as operações Narco Bet e Narco Vela, iniciadas em 2023. As investigações foram ampliadas a partir da análise de arquivos armazenados no iCloud de um dos gestores financeiros do grupo, o que permitiu mapear as relações entre os operadores, empresas de fachada e influenciadores digitais.

Em nota, a defesa de Raphael Sousa Oliveira afirmou que irá recorrer da decisão para garantir o restabelecimento da constitucionalidade no caso. O advogado de MC Poze do Rodo também criticou a ausência de fatos novos no pedido de prisão preventiva contra seu cliente e questionou a condução do processo.

A Justiça destacou o excesso de prazo na investigação e a falta de fundamentação individualizada para a decretação da prisão preventiva, especialmente em relação a alguns réus. A decisão deve orientar os próximos passos do processo, que segue em fase de apuração e diligências.

Palavras-chave: MC Ryan SP, Operação Narco Fluxo, habeas corpus, prisão preventiva, lavagem de dinheiro, apostas ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, Polícia Federal, TRF-3.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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