Os Países Baixos se tornaram o terceiro maior

Os Países Baixos se tornaram o terceiro maior exportador de alimentos do mundo, apesar do território pequeno, por meio da adoção de tecnologias avançadas e do trabalho conjunto entre universidades, empresas e produtores agrícolas. Essa transformação acontece principalmente no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), localizado no chamado Food Valley, onde estufas de alta tecnologia aumentam significativamente a produtividade.
A produção nas estufas da WUR utiliza sensores que monitoram variáveis como níveis de gás, temperatura e cor da luz. As informações são processadas por computadores com inteligência artificial, resultando em até cinco vezes mais produção do que em estufas tradicionais na América Latina. Esse avanço ocorre em um país com pouco mais de 41 mil km², cerca de 70 vezes menor que a Argentina.
Os Países Baixos também aproveitam o clima temperado com verões moderados e invernos sem temperaturas extremas, além da proximidade de grandes mercados consumidores na Europa e do porto de Rotterdam, maior porto de transbordo agrícola da Europa Ocidental. Entre os principais produtos exportados estão vegetais, carne, laticínios, plantas ornamentais e flores.
Além da produção local, o país importa grandes quantidades de matérias-primas para processamento e reexportação. No setor do cacau, os Países Baixos são o maior importador de grãos, que são transformados em produtos semiacabados para vender em seguida.
Um diferencial do país está na tradição de cooperação entre produtores, marcada por encontros regulares para troca de experiências, visitas a fazendas e realização de leilões cooperativos. Essa rede colaborativa é facilitada pelas curtas distâncias dentro do território nacional.
O sistema de inovação envolve a universidade e empresas derivadas, muitas originadas por alunos ou funcionários da WUR, além de unidades de pesquisa de grandes corporações, como Unilever e FrieslandCampina. Financiamentos públicos nacionais são geralmente obtidos em parceria com empresas que compartilham os custos, estabelecendo vínculos claros sobre a confidencialidade e a publicação dos resultados.
A tecnologia nas estufas permite rendimentos elevados, como 100 kg de tomates por metro quadrado por ano, comparado a 20 kg em condições menos tecnológicas. As plantas são cultivadas em substratos que permitem maior controle do fornecimento de nutrientes e quase total reutilização da água de irrigação, reduzindo o impacto ambiental.
Sensores e luzes LED de diferentes cores possibilitam manipular a produção de compostos específicos nas plantas, como antocianinas e licopeno, otimizando a qualidade do produto. Sistemas autônomos combinam monitoramento climático e fisiológico das plantas com modelos de simulação e inteligência artificial para controlar automaticamente o ambiente das estufas.
Apesar dos avanços, o consumo de energia é o maior desafio para expansão da produção, principalmente para aquecer as estufas no clima frio do país. A horticultura responde por 10% do consumo nacional de gás natural, cuja utilização será eliminada até 2050, segundo metas governamentais. Pesquisas procuram alternativas, como usar o metabolismo das plantas para armazenar energia durante períodos de maior disponibilidade, adaptando o consumo de forma eficiente.
Na pecuária, a universidade desenvolve técnicas para reduzir emissões de metano por meio da seleção genética e monitora o bem-estar animal com inteligência artificial que analisa vídeos para identificar padrões de comportamento.
A expertise da WUR atrai estudantes de todo o mundo para cursos de verão que começam em agosto, inclusive em estufas de alta tecnologia. Embora o investimento seja alto, elementos dessas tecnologias, como a hidroponia e o uso de luz LED colorida, podem ser adaptados para regiões com desafios diferentes, como a América Latina, onde o excesso de calor e a escassez de água configuram os principais obstáculos.
Pesquisadores brasileiros e mexicanos ressaltam a importância de adaptar as soluções às condições locais, considerando clima, recursos hídricos e necessidades socioeconômicas. Na América Latina, a prioridade é aumentar a produção de alimentos preservando recursos naturais, expandindo a inclusão de produtores familiares e promovendo a agricultura regenerativa.
Com as mudanças climáticas, eventos extremos e perda de solo e água, a produção em campo aberto torna-se mais difícil. O modelo intensivo e protegido adotado nos Países Baixos pode ser um caminho para garantir segurança alimentar, desde que adaptado às realidades regionais.
Assim, a posição dos Países Baixos como um centro global de inovação agrícola demonstra que a combinação de ciência, tecnologia, cooperação e sustentabilidade pode transformar a produção de alimentos, mesmo em territórios reduzidos e com condições climáticas exigentes.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com