A guerra no Irã tem impulsionado o crescimento

A guerra no Irã tem impulsionado o crescimento econômico da Guiana, um dos mais recentes petroestados do mundo, vizinho do Brasil, devido ao aumento da produção e dos preços do petróleo. Desde o início do conflito que bloqueou o estreito de Ormuz, o país tem registrado crescimento acelerado nas receitas petrolíferas, impactando a economia e a infraestrutura local.
A produção de petróleo bruto da Guiana, iniciada há seis anos, ultrapassa atualmente 920 mil barris por dia, com previsão de alcance de cerca de 892 mil barris por dia até dezembro de 2025. Com o conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo Brent subiram de US$ 62 para uma média diária de US$ 108, segundo dados da Administração de Informação Energética dos EUA.
De acordo com Sidney Armstrong, professor de Economia da Universidade da Guiana, a Guiana é a economia que mais cresce no mundo, com crescimento anual médio de 40,9% desde 2020. A exploração de hidrocarbonetos representou 37% do orçamento do país em 2025, contribuindo com cerca de US$ 2,5 bilhões em receitas. Antes da guerra, a previsão para 2026 era de US$ 2,8 bilhões.
A guerra e o fechamento do estreito de Ormuz elevaram as receitas petrolíferas em US$ 370 milhões por semana, atingindo US$ 623 milhões, conforme análise da revista The Economist. Luiz Hayum, analista da consultoria Wood Mackenzie, comenta que o governo espera aumento de US$ 4 bilhões nas receitas em 2026, em comparação com as estimativas anteriores.
No entanto, Sidney Armstrong destaca que apenas 14,5% das receitas petrolíferas vão diretamente para o governo, devido aos contratos que destinam 75% dos lucros às empresas petrolíferas para recuperação de investimentos. Após essa recuperação, o governo terá direito a 50% dos lucros mais 2% em royalties.
Um fator positivo apontado é a diminuição do tempo necessário para que as empresas recuperem os investimentos, em função da alta dos preços do petróleo. Isso pode aumentar as receitas diretas para a Guiana mais rapidamente. O país também estabeleceu um Fundo de Recursos Naturais para depositar essas receitas e regular seu uso, visando o crescimento sustentável e a preservação dos recursos para futuras gerações. Em março, o fundo contava com US$ 3,8 bilhões.
O impacto local do aumento nas receitas é visível no crescimento da construção civil. Projetos de infraestrutura, como estradas, escolas e centros de saúde comunitários, avançaram de forma acelerada, segundo Armstrong. Roxanna Vigil, pesquisadora do Council on Foreign Relations, ressalta a importância desses investimentos para a redução da pobreza, que ainda atinge grande parte da população guianense.
O governo também implementou um bônus de US$ 500 para todos os cidadãos maiores de 18 anos, uma promessa política que estava pendente desde o ano anterior. No entanto, Armstrong alerta que, apesar do boom petrolífero, a inflação e o aumento de preços atingem a população, reduzindo o poder de compra real.
Os preços da gasolina e dos alimentos subiram devido aos impactos globais da guerra, afetando o setor agrícola e aumentando os custos de produção. Além disso, há preocupações quanto à gestão dos recursos petrolíferos. Armstrong destaca atrasos e custos elevados em projetos importantes, como a construção de infraestrutura para transporte de gás, evidenciando problemas de gestão e possíveis indícios de corrupção.
Ele alerta para o aumento da desigualdade e para a persistência da pobreza e do problema de moradores sem-teto, apesar do rápido crescimento econômico. A melhoria das condições sociais ainda demanda esforços significativos, segundo Armstrong.
A ExxonMobil, empresa norte-americana, é a principal acionista do consórcio que opera o bloco petrolífero de Stabroek, única área em produção no país. A exploração desse ativo é a base do atual crescimento econômico da Guiana.
Em resumo, o conflito no Irã impulsionou as receitas do setor petrolífero na Guiana, trazendo recursos e acelerando investimentos em infraestrutura. No entanto, a maior parte dos lucros está vinculada à recuperação dos investimentos das empresas, e desafios como inflação, desigualdade e gestão dos recursos continuam presentes na realidade do país.
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Fonte: g1.globo.com
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