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Produtores brasileiros de alho enfrentam dificuldades para vender a safra devido ao baixo preço dos produtos importados, que têm inviabilizado a comercialização da produção nacional. A situação ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, onde agricultores estão considerando descartar toneladas de alho por não conseguirem preços compatíveis com os custos de cultivo.
Everson Tagliari, produtor gaúcho, cogita jogar no lixo cerca de 50 toneladas de alho diante da incapacidade de comercializar a produção. Outros agricultores preferem simplesmente não vender a safra quando o valor oferecido não cobre o investimento feito no plantio e colheita. A redução da área cultivada já é uma consequência direta desse cenário.
O Brasil consome aproximadamente 320 mil toneladas de alho por ano, mas produz internamente cerca de 170 mil toneladas, segundo dados da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa). A maior parte da produção concentra-se nas regiões Centro-Oeste e Sul do país. Para suprir a demanda, o Brasil depende das importações.
Cerca de 60% do alho consumido no Brasil é importado da Argentina, com o restante vindo principalmente da China, o maior produtor mundial do produto. Desde os anos 1990, o Brasil impõe uma tarifa extra sobre o alho chinês, mas isso não impede que o produto seja comercializado a preços inferiores aos praticados internamente.
O alho importado da China chega ao Brasil com preço em torno de R$ 10 o quilo, enquanto o custo médio de produção do alho brasileiro gira em torno de R$ 13 por quilo. Em 2023, o governo brasileiro firmou um acordo com exportadores chineses para definir um preço mínimo ao alho importado, tentando conter a concorrência desfavorável.
Letícia Barony, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirma que o alho chinês compete de forma desleal no mercado brasileiro devido a subsídios, infraestrutura de comercialização e estrutura produtiva oferecidos pela China. Segundo ela, essas práticas prejudicam a indústria nacional de alho.
No Rio Grande do Sul, a situação também é agravada pela concorrência com o alho argentino. Franchielle Motter, presidente da Associação dos Produtores de Alho do estado, relata um prejuízo estimado em R$ 5 por quilo vendido aos produtores locais.
A Anapa já enviou 35 ofícios a órgãos do governo federal denunciando a concorrência desleal, mas até o momento não obteve resposta oficial. A ausência de medidas eficazes mantém os produtores em dificuldade e reforça a queda da área cultivada e a possibilidade do desperdício da produção.
A crise do alho no Brasil reflete um desafio persistente entre produtores nacionais e importadores, agravado pela diferença entre o custo de produção interno e o preço dos produtos estrangeiros. A situação gera impacto direto na sustentabilidade econômica dos agricultores e na segurança de abastecimento do alimento no mercado interno.
Sem políticas públicas que equilibrem a competição e protejam os produtores locais, a tendência é que a área cultivada continue diminuindo, afetando o setor agrícola e a oferta de alho no país.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com