A família Lee concluiu o pagamento de um imposto sobre herança de 12 trilhões de wons (cerca de R$ 40 bilhões) referente ao espólio do falecido presidente da Samsung, Lee Kun-hee, morto em outubro de 2020. O pagamento foi finalizado em seis parcelas nos últimos cinco anos e representa o maior imposto sobre herança da Coreia do Sul.
O valor corresponde a aproximadamente uma vez e meia a receita anual do país com esse tributo, que possui alíquota de 50%, uma das mais altas do mundo. O pagamento preocupava investidores, pois poderia afetar a capacidade da família Lee de manter o controle do maior conglomerado do país, com operações em eletrônicos, construção, indústria pesada e serviços financeiros.
Lee Jae-yong, de 57 anos, neto do fundador da Samsung e atual presidente da empresa, liderou o pagamento junto com sua mãe, Hong Ra-hee, e suas irmãs, Lee Boo-jin e Lee Seo-hyun. O espólio herdado por eles incluía uma fortuna avaliada em 26 trilhões de wons, composta por ações, imóveis e coleções de arte, parte das quais foi doada a instituições culturais, como o Museu Nacional da Coreia.
A situação da sucessão na Samsung é marcada por uma história recente de conflitos familiares, escândalos políticos e processos judiciais. Lee Jae-yong esteve preso em 2017 por envolvimento em um esquema de corrupção ligado à ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye, mas foi inocentado em julho de 2025. Durante o julgamento, ele afirmou que não transferiria os direitos gerenciais da empresa para seus filhos, sinalizando possíveis mudanças na gestão do conglomerado.
O processo de sucessão na Samsung sempre foi complexo. Lee Jae-yong assumiu o comando interino em 2014, após um ataque cardíaco sofrido por seu pai, Lee Kun-hee, que consolidou o controle da empresa desde os anos 1970. A família enfrentou disputas internas, inclusive com o tio de Lee Jae-yong, Lee Maeng-hee, que em 2012 tentou recuperar participação no grupo, o que poderia ter desfechado o império familiar.
O conglomerado sul-coreano exerce papel central na economia do país e é considerado equivalente à realeza na Coreia do Sul, pela influência e patrimônio. A família Lee detém um patrimônio líquido estimado acima de US$ 45 bilhões, impulsionado pelo aumento da demanda global por chips de computador, especialmente para inteligência artificial.
A Samsung Electronics, principal divisão do grupo, está entre os maiores fabricantes mundiais de smartphones, chips de memória e televisores. A manutenção do controle familiar sobre a empresa tem sido assegurada por uma estrutura complexa de participações cruzadas e fusões internas, além do pagamento dos altos impostos sobre herança, condição que poderia obrigar a venda de ativos e afetar o comando.
Com o fim do pagamento do imposto, a Samsung busca estabilidade na sucessão familiar e prepara-se para os próximos desafios em um mercado cada vez mais competitivo e tecnológico. A decisão de Lee Jae-yong de não passar o controle diretamente para seus filhos pode indicar uma nova fase para o maior chaebol da Coreia do Sul.
—
Palavras-chave relacionadas: Samsung, Lee Jae-yong, imposto sobre herança, sucessão empresarial, Coreia do Sul, conglomerado familiar, chaebol, escândalo de corrupção, Lee Kun-hee, mercado de tecnologia, chips para inteligência artificial, holdings familiares, patrimônio líquido, liderança corporativa.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

