Economia

Mais de 840 mil pessoas morrem anualmente no

Mais de 840 mil pessoas morrem anualmente no
  • Publishedabril 29, 2026

Mais de 840 mil pessoas morrem anualmente no mundo devido a problemas de saúde associados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas longas, insegurança no emprego e assédio, de acordo com relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado em 28 de abril. O estudo aponta que esses fatores contribuem para doenças cardiovasculares, transtornos mentais e suicídios, além de causar alta perda de anos de vida saudável.

O relatório “O ambiente psicossocial de trabalho: tendências globais e orientações para a ação” destaca que os riscos psicossociais provocam quase 45 milhões de anos de vida saudável perdidos por ano devido a doenças, incapacidades ou mortes prematuras. A OIT estima que o impacto econômico dessas condições equivale a 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Segundo o documento, o ambiente psicossocial do trabalho inclui a estrutura das tarefas, a forma de gestão, as relações interpessoais e as políticas internas das empresas. Esses elementos influenciam diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores. Quando mal administrados, aumentam o risco de adoecimento.

O relatório identifica três dimensões principais do ambiente psicossocial: a natureza do trabalho, incluindo as exigências e adequação às habilidades; a organização e gestão, que envolve carga de trabalho, autonomia e apoio; e as políticas e práticas do ambiente profissional, como jornadas, remuneração e prevenção ao assédio.

Mudanças recentes no mundo do trabalho, como a digitalização, o uso da inteligência artificial e o aumento do trabalho remoto, têm modificado o ambiente profissional. A OIT alerta que essas transformações podem agravar os riscos existentes ou criar novos desafios, caso não sejam acompanhadas por políticas específicas.

Manal Azzi, líder da equipe de políticas de segurança e saúde da OIT, afirmou que os riscos psicossociais são um dos desafios mais importantes para a segurança e saúde no trabalho atualmente. Ela ressaltou a necessidade de melhorar as condições laborais para proteger a saúde física e mental dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, fortalecer a produtividade e o desenvolvimento econômico sustentável.

O relatório reforça que os riscos psicossociais podem ser prevenidos por meio do enfrentamento de suas causas estruturais. Entre as recomendações estão a melhoria da organização do trabalho, o fortalecimento das políticas de saúde e segurança e o estímulo ao diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores.

No Brasil, o avanço desses riscos foi reconhecido na atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais. A norma tem previsão inicial para entrar em vigor em maio de 2025, mas o prazo foi adiado para maio de 2026 após pressão de entidades empresariais. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) avalia um novo adiamento.

Com a atualização da NR-1, auditores do trabalho poderiam fiscalizar e aplicar multas relacionadas a metas excessivas, jornadas extensas, falta de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, ausência de autonomia e condições precárias. Essa mudança daria ao ambiente psicossocial o mesmo peso de fiscalização que questões envolvendo acidentes de trabalho ou doenças.

A decisão de adiar a norma contrasta com o cenário recente no país, que registrou recorde de afastamentos por transtornos mentais. Em 2025, mais de 546 mil licenças foram concedidas por problemas relacionados à saúde mental, gerando custo bilionário aos cofres públicos.

O MTE informou que ainda não definiu uma posição definitiva sobre o novo prazo para a implementação da norma e deve divulgar uma decisão em breve. Enquanto isso, os desafios relacionados aos riscos psicossociais no trabalho continuam presentes no Brasil e no mundo.

Palavras-chave relacionadas: riscos psicossociais no trabalho, jornadas longas, assédio no trabalho, doenças cardiovasculares, transtornos mentais, Organização Internacional do Trabalho, NR-1, saúde ocupacional, afastamentos por saúde mental, digitalização do trabalho.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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