Empresa lança máquina que mecaniza colheita de pimenta

Uma tecnologia nacional lançada na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), em 2024, pode transformar a colheita de pimenta-do-reino no Brasil ao mecanizar o processo, aumentando a eficiência e reduzindo custos para os produtores. A inovação, desenvolvida pela MIAC, responde à demanda do setor por maior produtividade e controle da qualidade do grão.
O Brasil é o segundo maior produtor e exportador mundial de pimenta-do-reino, com produção estimada em 125 mil toneladas para 2024 e faturamento de R$ 3,67 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Espírito Santo lidera a produção nacional, com cerca de 60% da safra, seguido por Pará e Bahia.
Atualmente, a colheita da pimenta-do-reino é realizada quase totalmente de forma manual, principalmente entre julho e novembro. Essa prática exige grande quantidade de mão de obra e eleva os custos operacionais, além de dificultar a logística nas propriedades rurais.
“A colheita era totalmente manual, com o produtor colhendo os cachos e transportando-os em baldes para o beneficiamento”, explica Joel Backes, diretor comercial da MIAC. Ele ressalta que esse modelo limita a produtividade e aumenta as despesas.
Para superar esse desafio, a MIAC desenvolveu a BP Master, uma recolhedora trilhadora inédita no mundo, que se acopla a tratores e automatiza a separação dos grãos de pimenta-do-reino dos cachos. O equipamento utiliza uma lona posicionada entre as linhas de plantio, onde os trabalhadores depositam os cachos colhidos.
A máquina executa a trilhagem por meio de um cilindro e peneiras que separam o grão das folhas e demais resíduos vegetais, mantendo a integridade do produto. Isso garante um aumento na qualidade e reduz o volume de material transportado dentro da propriedade.
Backes destaca que a tecnologia permite reduzir drasticamente a mão de obra necessária. “Em um hectare, onde antes trabalhavam cerca de 100 pessoas, é possível realizar o mesmo trabalho com aproximadamente 20 operadores”, afirma.
O impacto financeiro é imediato, segundo ele, com economia de até 50% em custos de mão de obra e ganho de até 20% na produtividade. Essa combinação eleva a rentabilidade da cultura para os produtores.
A colheita mecanizada também facilita a logística e o manejo da pimenta-do-reino pós-colheita, uma vez que apenas os grãos são movimentados, eliminando o transporte de material volumoso e folhoso.
Apesar das vantagens, a adoção da BP Master enfrenta o desafio da mudança cultural entre os produtores, muitos acostumados ao processo manual tradicional. Backes observa que, com suporte técnico e assistência no campo, a transição tende a acelerar.
O setor de pimenta-do-reino no Brasil vem crescendo nos últimos anos, com a produção praticamente dobrando na última década. Cerca de 90% da produção nacional é destinada à exportação, principalmente em mercados asiáticos e europeus.
A mecanização da colheita pode impulsionar ainda mais esse crescimento, ampliando a competitividade brasileira no mercado global. A velocidade de adaptação dos produtores à nova tecnologia será um fator determinante para esse avanço.
A Agrishow 2024, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, sediada em Ribeirão Preto, tem sido palco para a apresentação de equipamentos como a BP Master, que visam modernizar o setor agrícola nacional e oferecer soluções para desafios históricos da produção.
Com a introdução dessa tecnologia, o Brasil dá um passo importante na modernização da produção de pimenta-do-reino, buscando maior eficiência operacional e competitividade no cenário internacional.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com