O Banco Mundial prevê alta de 24% nos preços de

O Banco Mundial prevê alta de 24% nos preços de energia em 2026, influenciada pelos impactos da guerra no Oriente Médio, conforme divulgado nesta terça-feira (28). A estimativa considera o cenário em que os efeitos mais graves do conflito terminem em maio, mas alerta para riscos maiores caso as hostilidades se intensifiquem.
De acordo com a mais recente Perspectiva dos Mercados de Commodities do órgão, os preços das commodities poderão subir ainda mais se os conflitos prolongarem as interrupções no fornecimento. A análise baseia-se na expectativa de que o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de energia, retorne próximo aos níveis pré-guerra até outubro. Entretanto, o banco destaca que os riscos permanecem inclinados para aumento dos preços.
O aumento previsto inclui um crescimento de 16% nos preços gerais das commodities em 2026, alavancado pelo custo mais elevado da energia, dos fertilizantes e por valores recordes de metais importantes. Os preços do petróleo Brent, referência internacional, mantiveram alta contínua, registrando níveis 50% superiores em abril em comparação com o início do ano.
O Banco Mundial projeta que o preço médio do barril de petróleo Brent deve ser de US$ 86 em 2026, acima dos US$ 69 estimados para 2025. Em um cenário adverso, com maiores danos às instalações petrolíferas no Oriente Médio, o valor pode alcançar até US$ 115 por barril ainda este ano. Os contratos futuros para junho chegaram a ser negociados em torno de US$ 109, marcando o maior fechamento desde 7 de abril.
Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, afirmou que o conflito causa impactos em cadeia na economia global, começando pela alta dos preços da energia, seguida por aumentos nos preços dos alimentos, resultando no aumento da inflação. Esse efeito deve levar à elevação das taxas de juros e ao encarecimento do endividamento, pressionando especialmente os países em desenvolvimento e as populações mais vulneráveis.
A guerra também pressiona o setor de alimentos globalmente, com a previsão de alta de 31% nos preços dos fertilizantes em 2026. O custo da ureia, fertilizante nitrogenado mais utilizado, pode subir 60%, influenciado pela elevação nos preços do gás natural necessário para sua produção. Essa escalada agrava a segurança alimentar, reduz a renda dos agricultores e ameaça futuras colheitas.
O Programa Mundial de Alimentos alerta que, caso o conflito se mantenha por período prolongado, cerca de 45 milhões de pessoas adicionais poderão enfrentar insegurança alimentar aguda ainda este ano. A pressão sobre os preços dos fertilizantes contribui para essa perspectiva, afetando diretamente a disponibilidade e o custo dos alimentos.
O Banco Mundial projeta que a inflação nas economias em desenvolvimento deve atingir média anual de 5,1% em 2026, superior aos 4,7% registrados no ano anterior e um ponto percentual acima das previsões anteriores ao conflito. Em caso de prolongamento da guerra, a inflação pode chegar a 5,8% nessas mesmas economias.
Além disso, o crescimento econômico dessas regiões deve desacelerar, com previsão de 3,6% em 2026, abaixo dos 4% estimados antes do conflito. O impacto deve refletir nos níveis de produção, consumo e investimentos, aprofundando desafios já existentes nesses países.
Em síntese, a guerra no Oriente Médio mantém pressão sobre os preços globais de energia e alimentos, com impactos significativos sobre a inflação e o crescimento das economias em desenvolvimento. A instabilidade na região e a retenção do tráfego no Estreito de Ormuz continuam entre os principais fatores de risco para a retomada e estabilidade dos mercados globais.
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Palavras-chave relacionadas: guerra no Oriente Médio, Banco Mundial, preços de energia, commodities, petróleo Brent, Estreito de Ormuz, inflação, fertilizantes, segurança alimentar, crescimento econômico, economia global, mercado de commodities.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com