Um grupo de jovens nos Estados Unidos passou

Um grupo de jovens nos Estados Unidos passou um mês sem smartphones para participar de uma desintoxicação digital, buscando reduzir os efeitos negativos das redes sociais no cotidiano. A experiência ocorreu entre janeiro e abril, em Washington, e foi organizada por uma startup e um grupo comunitário local.
Durante o desafio, os participantes usaram celulares simples com funcionalidades básicas, como telefonemas, mensagens de texto e aplicativo de transporte. Eles abriram mão das redes sociais e de aplicativos comuns como Google Maps e Spotify para reaprender modos mais tradicionais de interação com o ambiente.
Jay West, analista de dados, relatou dificuldade para se adaptar no início, principalmente ao esperar o transporte público sem ajuda do celular. Segundo ele, a experiência trouxe uma sensação de liberdade e permitiu conviver com o tédio de forma aceitável, o que não acontecia antes.
Outros participantes compartilharam desafios parecidos. Rachael Schultz precisou pedir informações a desconhecidos, enquanto Lizzie Benjamin voltou a usar CDs para ouvir música, evitando plataformas digitais. Bobby Loomis, do setor imobiliário, revelou que tinha dificuldade em assistir a séries sem consultar o celular.
Pesquisas e decisões recentes apontam para os riscos do uso excessivo dessas tecnologias. Um tribunal da Califórnia entendeu que Instagram e YouTube têm responsabilidade pela dependência gerada por suas plataformas. Dados da pesquisa YouGov indicam que dois terços dos jovens entre 18 e 29 anos gostariam de diminuir o tempo de tela.
Além do desafio, os organizadores oferecem sessões semanais de grupo em locais públicos como bares de karaokê para promover interação social. Josh Morin, um dos idealizadores, destaca que apenas deixar o celular de lado não é suficiente; é necessário substituir o hábito por atividades sociais e comunitárias.
O programa “Um mês offline” está em andamento há um ano, com cerca de mil participantes previstos até maio de 2024. A inscrição custa aproximadamente 100 dólares, valor que cobre o empréstimo do aparelho básico e suporte durante o período.
Especialistas afirmam que a redução do uso de smartphones pode aumentar o bem-estar e a capacidade de concentração dos jovens. Kostadin Kushlev, pesquisador da Universidade de Georgetown, afirma que os efeitos positivos observados tendem a se manter no tempo.
Além disso, movimentos semelhantes têm ganhado espaço em universidades e grandes cidades americanas, com grupos adotando “dietas” digitais e encontros sem aparelhos eletrônicos.
Graham Burnett, professor da Universidade de Princeton, compara o momento atual ao surgimento dos movimentos ambientais nos anos 1960, prevendo que a desintoxicação digital pode se consolidar como um movimento social importante.
Entre os participantes, Kendall Schrohe, de 23 anos, destaca a mudança pessoal que a desintoxicação proporcionou. Ela eliminou suas contas em redes sociais e criou seu próprio grupo para incentivar a sobriedade digital.
A experiência de jovens americanos indica um crescente interesse em limitar o uso do smartphone e redes sociais, buscando equilíbrio entre tecnologia e qualidade de vida.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com