Quase um em cada cinco domicílios no Brasil tinha apenas um morador em 2025, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (17). O aumento na quantidade de pessoas vivendo sozinhas acompanha o envelhecimento da população e mudanças nos arranjos familiares.
O número de lares unipessoais mais que dobrou na última década, passando de 12,2% em 2012 para 19,7% em 2025, o que corresponde a um crescimento de 109,8%, saindo de 7,5 milhões para 15,6 milhões de domicílios. Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, o principal fator por trás dessa mudança é o aumento da expectativa de vida e a reconfiguração das famílias.
Ele destaca que, à medida que as pessoas envelhecem, a ocorrência de viuvez, separações e saída dos filhos de casa gera maior número de moradores que vivem sozinhos. Essa tendência é mais acentuada nas faixas etárias mais avançadas, especialmente entre as mulheres.
Entre os que vivem sozinhos, homens constituem a maioria, com 54,9% dos domicílios unipessoais em 2025. Kratochwill explica que para eles a vida isolada está muitas vezes ligada a separações, com filhos ficando com a mãe, ou a mudanças provocadas por trabalho em grandes centros urbanos.
Por outro lado, mais da metade das mulheres que vivem sós têm 60 anos ou mais, representando 56,5% deste grupo. A maior longevidade feminina, a viuvez e o desejo de autonomia residencial são fatores que influenciam esse perfil.
Os arranjos familiares apresentam outras diferenças. Nos domicílios nucleares, formados por casais com ou sem filhos, a presença de homens e mulheres é equilibrada. Já nos domicílios estendidos, que incluem parentes além do núcleo familiar, as mulheres são maioria entre os responsáveis.
Apesar do crescimento dos lares unipessoais, o arranjo nuclear permanece predominante, representando 65,6% dos domicílios brasileiros em 2025, embora com tendência de queda ao longo dos anos.
A distribuição regional mostra que o Sudeste concentra 20,9% dos domicílios unipessoais, seguido pelo Centro-Oeste com 20%. O Norte registra a menor proporção, com 15,1%. Entre as capitais, Florianópolis lidera com 30,5% dos lares formados por apenas uma pessoa.
Kratochwill aponta que esses números refletem fatores como o envelhecimento populacional, maior urbanização e o papel das cidades como polos de trabalho e estudo. O Norte e o Nordeste apresentam o crescimento mais acelerado, com aumento de 131% na quantidade de domicílios unipessoais desde 2012.
A transformação nos arranjos familiares acontece junto com mudanças demográficas mais amplas do país. Em 2025, a população brasileira atingia 212,7 milhões de habitantes, com a parcela de idosos (60 anos ou mais) passando de 11,3% em 2012 para 16,6%.
No grupo com 65 anos ou mais, o percentual alcançou 11,6%. Em contrapartida, a população com menos de 30 anos diminuiu 10,4% no mesmo período, refletindo a queda na fecundidade e a redução do número de nascimentos.
A estrutura etária do Brasil está em transição, com base populacional mais estreita devido à menor quantidade de crianças e jovens e aumento proporcional das faixas adultas e idosas. Pessoas até 20 anos perderam participação, enquanto as faixas acima dos 40 cresceram.
O grupo de 30 a 39 anos, que apresentava crescimento no início da série, começou a registrar queda a partir de 2017. O crescimento populacional desacelerou, com taxa anual de expansão caindo de 0,78% em 2013 para cerca de 0,40% nos últimos quatro anos.
Essa desaceleração indica um processo de estabilização demográfica. Também há diferença na proporção por sexo entre idosos: para cada 100 mulheres com mais de 60 anos, há 78,9 homens, refletindo maior mortalidade masculina.
O aumento da população idosa que vive sozinha pode exigir mudanças nas políticas públicas voltadas para moradia, saúde e suporte social, considerando a crescente autonomia e necessidades desse grupo.
—
Palavras-chave relacionadas para SEO: envelhecimento da população, domicílios unipessoais, brasileiros que vivem sozinhos, PNAD Contínua, IBGE, arranjos familiares, lares no Brasil, população idosa, transição demográfica, crescimento populacional, moradia no Brasil, tendência demográfica.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

