O envelhecimento da população brasileira e a redução do tamanho das famílias têm ampliado a demanda por acompanhantes de saúde, gerando debates no Congresso sobre a regulamentação da profissão. Profissionais desse setor são contratados para acompanhar idosos e também pessoas mais jovens em exames, consultas e outras necessidades cotidianas, com contratação informal e pagamento via Pix.
Com o aumento da longevidade e menos filhos por família, muitos brasileiros buscam suporte externo para cuidados de saúde. Plataformas online como Cronoshare e GetNinja facilitam a conexão entre clientes e acompanhantes, que oferecem seus serviços segundo as demandas específicas apresentadas.
Girlaine Ferreira, cuidadora há seis anos na região metropolitana de São Paulo, atua também como acompanhante de saúde para renda extra. Ela cobra entre R$ 220 e R$ 300 por atendimento, valor que varia conforme o tempo e dia do serviço. Segundo Girlaine, a maioria dos clientes pertence a classes média e alta, pois o custo pode ser impeditivo para quem ganha salário mínimo.
A função ainda é pouco conhecida e informada, o que limita o acesso de pessoas com menos instrução a esses serviços. Girlaine relata ter acompanhado desde exames a pacientes internados por longos períodos, destacando que não é obrigatório possuir curso específico para atuar como acompanhante, embora o trabalhador declare suas habilidades no momento da contratação.
Edineusa Matos, auxiliar de enfermagem que atua há seis anos em São Paulo, também encontrou no acompanhamento de saúde uma forma de aumentar seus rendimentos. Ela cobra entre R$ 130 e R$ 260 por diária e atende desde pessoas com autismo severo até idosos em hemodiálise. Em alguns meses, a renda complementar supera a do emprego formal.
A prestação de serviços nessa área ocorre majoritariamente de forma informal, sem contratos trabalhistas. Segundo a advogada Patrícia Schüler Fava, trabalhos esporádicos caracterizam prestação de serviço eventual, mas serviços recorrentes podem configurar vínculo empregatício, com direitos e obrigações formais. A regulamentação da profissão ainda está em tramitação no Congresso.
Especialistas relacionam a maior necessidade de cuidadores à combinação entre envelhecimento acelerado e redes familiares reduzidas. O IBGE aponta que a geração atual de idosos tem menos filhos e menor suporte familiar direto, abrindo espaço para contratação de profissionais e instituições de longa permanência.
A antropóloga Valquíria Renk ressalta que muitos brasileiros não conseguem arcar com serviços profissionais, concentrando o cuidado em familiares, principalmente mulheres não remuneradas. Para famílias com maior poder aquisitivo, a contratação de equipes multidisciplinares e acompanhantes se torna alternativa para suprir a falta de tempo devido a jornadas de trabalho prolongadas.
Em 2024, o governo federal sancionou a Política Nacional do Cuidado, que reconhece o cuidado como responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade, estabelecendo diretrizes para apoio às famílias. No entanto, especialistas destacam que a política ainda depende de regulamentação, orçamento e implementação para ser efetiva.
Além da demanda crescente, a informalidade e a falta de regulamentação dificultam a profissionalização e a garantia de direitos para os acompanhantes de saúde. O cenário revela uma lacuna entre as necessidades da população envelhecida e as estruturas de apoio disponíveis no país.
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Fonte: g1.globo.com
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