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O álbum “Equilibrivm”, lançado por Anitta na quinta-feira

O álbum “Equilibrivm”, lançado por Anitta na quinta-feira
  • Publishedabril 17, 2026

O álbum “Equilibrivm”, lançado por Anitta na quinta-feira (16), traz uma abordagem que mistura espiritualidade e elementos da música brasileira, mas apresenta oscilações ao buscar atingir o público internacional. O trabalho incorpora referências ao Candomblé, religião da cantora, e ao sincretismo cultural das tradições afro-brasileiras, costurando ritmos como samba, funk e reggae em uma base pop.

Anitta utiliza o disco para expressar sua relação com a espiritualidade, especialmente por meio de mantras, elementos indígenas e principalmente do Candomblé. O álbum destaca o uso de atabaques e letras que reverenciam ou remetem aos orixás, inserindo-se em uma tradição musical que tem raízes no samba, no maracatu e em outras manifestações culturais brasileiras.

Apesar disso, o álbum não se limita ao universo religioso; a construção sonora favorece uma experiência acessível, mesmo para quem não compartilha da crença presente nas faixas. Produzido por nomes como Janluska, Gabriel Duarte, Iuri Rio Branco e Carlos do Complexo, “Equilibrivm” reflete a colaboração com artistas contemporâneos da música brasileira, como Marina Sena, que participa da faixa “Mandinga”.

“Mandinga” é um dos pontos altos do disco, dialogando com o clássico “Canto de Ossanha” de Baden Powell e Vinicius de Moraes, usando samples e interpolação para criar um som próprio. A música une passado e presente e evidencia a costura entre o samba e os elementos espirituais que permeiam o trabalho.

Entretanto, a partir da metade do álbum, Anitta direciona o foco para o mercado internacional, o que provoca uma desconexão com o tom principal do disco. “Varias Quejas”, versão em espanhol de uma música do Olodum, deixa de lado os elementos percussivos característicos do original, reduzindo a força da composição.

Outras faixas, como “So Much Love” e “Pinterest”, apresentam abordagens mais comerciais e menos conectadas com o restante do álbum. A inclusão de uma música com nome de rede social, aliada à letra em espanhol, destaca uma tentativa explícita de ampliar o alcance mas acaba gerando uma sensação de interrupção na proposta mais coesa do álbum.

Essa passagem evidencia uma dificuldade já conhecida na trajetória de Anitta: a busca pela exportação nem sempre é acompanhada pela manutenção da identidade artística. Nesse sentido, faixas que priorizam agradar mercados estrangeiros podem perder a conexão com a proposta inicial do projeto.

Por outro lado, colaborações como “Choka Choka”, com Shakira, equilibram melhor essa dualidade. O funk brasileiro se mistura ao espanhol, com as duas artistas alternando os idiomas, o que reforça a interculturalidade e mantém uma ligação com as raízes musicais da brasileira.

O álbum atinge seu maior potencial quando alia o funk às batidas presentes no que foi chamado de “macumbeats”, como na música “Meia Noite”. O uso aumentado de batuques e coros cria uma atmosfera hipnótica, demonstrando que a fusão entre elementos tradicionais e contemporâneos pode render resultados expressivos.

No entanto, “Equilibrivm” poderia ser mais consistente se mantivesse esse caminho sem tentar se adaptar tanto às fórmulas do pop radiofônico. Apesar de sua proposta, o disco apresenta momentos menos ousados na sonoridade, o que acaba reduzindo o impacto geral.

De modo geral, “Equilibrivm” é o álbum mais interessante da carreira recente de Anitta. A cantora mostra uma evolução ao olhar para suas raízes e inserir sua fé na composição musical, oferecendo uma visão pessoal e autêntica.

Ainda que nem todas as escolhas sejam equilibradas, a obra revela a força da conexão entre fé e arte na produção de Anitta. A plataforma da artista permite que suas referências culturais cheguem a públicos variados, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre tradições afro-brasileiras.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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