A Europa enfrenta possibilidade de escassez de combustível

A Europa enfrenta possibilidade de escassez de combustível de aviação nas próximas semanas, o que levou companhias aéreas a cancelarem voos, segundo alerta da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgado em abril de 2024. A interrupção das importações, principalmente pela rota do estreito de Ormuz, fechada pelo Irã há mais de seis semanas, impacta o abastecimento da região.
O chefe da AIE, Fatih Birol, afirmou que a Europa tem combustível suficiente para abastecer aviões por cerca de seis semanas. Caso não seja possível substituir pelo menos metade das importações do Oriente Médio, os estoques podem chegar a um ponto crítico já em junho. A interrupção da rota pelo Golfo Pérsico elevou preços e gerou temores de escassez.
Companhias aéreas como Lufthansa e KLM anunciaram cancelamentos relacionados ao aumento dos custos do querosene e à crise no fornecimento. A Lufthansa suspendeu as operações de 27 aeronaves da subsidiária Lufthansa CityLine a partir de 18 de abril, para reduzir prejuízos diante do aumento do preço do combustível e conflitos trabalhistas. A companhia também enfrenta greves de tripulantes e pilotos.
A KLM cancelou 160 voos previstos para maio, alegando que isso afetará menos de 1% da programação. A empresa afirmou que não há escassez física de combustível e que os cancelamentos são resultado do aumento dos custos. Os passageiros afetados serão realocados em outros voos para garantir suas viagens durante o período de férias.
Outras empresas também têm adotado medidas. Em março, a Scandinavian Airlines (SAS) cancelou ao menos mil voos e alertou para possível reajuste nos preços, caso a crise continue. A EasyJet informou ter tido um custo adicional de 25 milhões de libras em março devido ao conflito no Oriente Médio, mesmo após garantir parte do seu combustível a preço fixo via hedge.
A AIE explicou que as exportações do Golfo são a principal fonte do combustível de aviação para a Europa e outros grandes mercados, como Coreia do Sul, Índia e China. A interrupção no estreito de Ormuz afetou o funcionamento competitivo desses mercados, onde a Europa dependia do Oriente Médio para cerca de 75% do combustível.
O continente tenta compensar a falta de suprimentos por meio de importações dos Estados Unidos e Nigéria, mas a substituição ainda não alcança mais da metade do volume necessário. A AIE indica que se essa substituição não avançar, a escassez pode provocar cancelamentos e redução da demanda já em junho. Se a reposição atingir três quartos do fornecimento, a crise pode ser adiada para agosto.
No Reino Unido, o governo trabalha com fornecedores e companhias aéreas para evitar interrupções no abastecimento. Empresas aéreas britânicas afirmam não enfrentar problemas no momento, mas dialogam com as autoridades sobre medidas de contingência, incluindo desburocratização para proteger consumidores e a competitividade do setor.
Especialistas apontam que, mesmo com o reestabelecimento do fornecimento pelo Golfo, uma eventual escassez pode ocorrer, especialmente antes do pico de viagens no verão europeu, entre junho e agosto. A reposição levaria de cinco a seis semanas para garantir estoques suficientes em aeroportos menores.
O preço do combustível de aviação europeu atingiu recorde em abril, mais que o dobro do valor antes do início da guerra no Oriente Médio, influenciando os custos operacionais das companhias, que normalmente dedicam de 20% a 40% do orçamento ao combustível.
A Comissão Europeia afirmou não haver evidências atuais de escassez na União Europeia, mas reconheceu o risco de problemas futuros no abastecimento e mantém grupos de coordenação semanais para monitorar a situação. Medidas para mitigar impactos devem ser anunciadas em breve pelo presidente da Comissão.
Por sua vez, a associação europeia de aeroportos alertou para a possibilidade de falta de querosene se o estreito de Ormuz não for reaberto em três semanas. O grupo Airlines for Europe pediu que a União Europeia considere o conflito como circunstância extraordinária para regras de compensação de passageiros, isentando as companhias aéreas de pagamentos devido a cancelamentos causados por essa situação.
O cenário reforça os desafios na cadeia de suprimentos globais e a necessidade de resposta coordenada para garantir a operação do setor aéreo na Europa durante os próximos meses.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com