Economia

O avanço da inteligência artificial (IA) no mercado

O avanço da inteligência artificial (IA) no mercado
  • Publishedabril 15, 2026

O avanço da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho tem levado profissionais a aumentar a carga horária, reduzir pausas e buscar constante visibilidade para demonstrar sua relevância diante do risco de demissões, segundo pesquisa da Resume.io realizada em 2024 com mais de 3 mil trabalhadores. Essa reação ocorre principalmente no setor de tecnologia e reflete a tentativa dos empregados de se adaptar ao impacto da automação nas suas atividades.

De acordo com a pesquisa, os profissionais trabalham em média 2 horas e 24 minutos extras por semana, totalizando quase 125 horas adicionais por ano. Essa tendência se manifesta em almoços encurtados e no que especialistas chamam de “teatro da produtividade”, quando os empregados se empenham em aparentar estar ocupados para reafirmar seu valor na empresa.

O psiquiatra Thiago Genaro, da Conexa, avalia que o aumento da jornada não garante a manutenção do emprego. Ele afirma que a insegurança diante da IA leva a estratégias que não necessariamente acompanham as mudanças estruturais do mercado. Para ele, o foco mudou do “quanto” para o “como e para quê” se trabalha, indicando que simples esforços extras podem ser insuficientes.

Emilio Salcedo, especialista em tecnologia da RS Systems, destaca que a incorporação da inteligência artificial nas empresas pode ampliar a pressão por produtividade quando não há atualização das metas e expectativas. Segundo ele, a IA reduz tarefas repetitivas, mas a cobrança por resultados pode aumentar sem o devido ajuste na gestão.

A pesquisa revela que os trabalhadores adaptam seus hábitos para acompanhar esse ritmo: respondem mensagens fora do expediente, diminuem as pausas formais e assumem mais tarefas sem alterações contratuais. Mais da metade (55%) dos entrevistados relatou redução do intervalo para almoço, associada à necessidade de manter produtividade e visibilidade.

Outro dado apontado é o “teatro da produtividade”: 67% dos profissionais afirmam sentir pressão para parecer constantemente ocupados, adotando comportamentos como manter o status online ativo, responder mensagens rapidamente e prolongar tarefas simples para demonstrar engajamento.

Para Genaro, esse comportamento deve perder espaço com a evolução das métricas de avaliação, que tendem a se tornar mais sofisticadas e capazes de identificar trabalhadores e setores com baixo engajamento e produtividade. Com a IA, segundo ele, a análise deve considerar não apenas o volume, mas a qualidade das entregas.

Mais da metade dos entrevistados percebeu mudança na avaliação de desempenho desde a adoção de ferramentas de IA, sendo que 16% destacam o aumento no ritmo exigido. Genaro afirma que a eficiência técnica passa a ser critério básico para avaliação, com menos espaço para tarefas mecânicas e maior exigência em competências como análise, tomada de decisão e criatividade.

Salcedo reforça que a inteligência artificial elimina tarefas específicas sem substituir categorias inteiras de imediato, exigindo constante readequação das funções. Ele destaca a importância de profissionais que utilizem a tecnologia para apoiar análises e decisões. Para ele, o foco da avaliação se desloca da quantidade de horas para os resultados e a capacidade de integrar a IA ao trabalho.

Apesar das adaptações, o medo da substituição direta persiste como principal preocupação dos trabalhadores: 34% temem perder o emprego para a IA, 30% receiam substituição gradual e 20% consideram que a tecnologia pode ser usada para justificar cobranças maiores. Outros 14% temem ficar atrás dos colegas que dominam melhor as novas ferramentas.

Para Genaro, a resposta está na adaptação estratégica, com foco no desenvolvimento de novas habilidades alinhadas às ferramentas de IA. Salcedo ressalta a importância do conhecimento básico em tecnologia, identificação de tarefas automatizáveis e fortalecimento do pensamento crítico como diferenciais.

Ambos especialistas alertam para os efeitos emocionais da transição tecnológica. Salcedo enfatiza que a maior ameaça está na forma como a tecnologia é implementada, especialmente quando a adoção não é acompanhada de ajustes claros nas expectativas de desempenho, o que pode aumentar insegurança e sobrecarga.

Em resumo, embora o esforço extra e a redução do descanso reflitam a tentativa de preservação dos empregos frente à inteligência artificial, especialistas indicam que mudanças estruturais no mercado exigem foco em competências e entregas de valor, não apenas em horas trabalhadas.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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