A inflação na Argentina acelerou para 3,4% em março, segundo

A inflação na Argentina acelerou para 3,4% em março, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), marcando o maior índice mensal em um ano. O dado indica avanço em relação aos 2,9% registrados em fevereiro, apesar de o acumulado em 12 meses até março ter caído para 32,6%.
Os setores que mais contribuíram para a alta foram educação, com aumento de 12,1%, e transporte, que subiu 4,1%. Outros segmentos também tiveram alta significativa, como habitação, água, eletricidade, gás e combustíveis (3,7%), recreação e cultura (3,6%), restaurantes e hotéis (3,4%) e alimentos e bebidas não alcoólicas (3,4%).
Ao longo de 2024, o índice oficial de preços apresentou melhora nos meses iniciais do governo de Javier Milei, mas a partir de maio houve uma retomada da aceleração inflacionária. A inflação mensal manteve-se entre 2% e 3%, quase sempre acima da meta de 2% estabelecida pelo governo.
Desde sua posse em dezembro de 2023, Milei implantou um forte ajuste econômico que incluiu a suspensão de obras federais, corte de repasses a estados e a eliminação de subsídios para tarifas básicas como água, gás, energia e transporte. Essas medidas provocaram aumento direto nos preços ao consumidor.
A situação econômica afetou a população, que enfrentou alta taxa de pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% em condição de vulnerabilidade. No entanto, esse número caiu para 28,2% no segundo semestre de 2025, atingindo o menor nível em sete anos.
Apesar das dificuldades, o governo conseguiu manter superávits fiscais e atrair parte dos investimentos, repercutindo positivamente em indicadores econômicos. A situação mudou no segundo semestre de 2025, quando uma crise política atingiu o governo.
A crise teve início após o vazamento de um áudio que envolve Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, em acusações de corrupção. O episódio desencadeou investigações judiciais, além de influenciar negativamente o apoio político a Milei.
Em setembro de 2025, Milei sofreu derrota nas eleições da província de Buenos Aires, região que concentra cerca de 40% do eleitorado nacional. O resultado impactou os mercados: títulos, ações e o peso argentino caíram, e a moeda atingiu cotação histórica de 1.423 pesos por dólar.
A incerteza política levou a uma derrocada de quase 40% do peso frente ao dólar até o final de 2025, piorando as pressões inflacionárias. Em resposta, o Banco Central retomou intervenções cambiais para controlar a valorização da moeda americana.
A situação começou a se estabilizar após o governo argentino receber apoio dos Estados Unidos em outubro de 2025, com a assinatura de um acordo de swap cambial no valor de US$ 20 bilhões. O pacto foi ampliado a um total de US$ 40 bilhões, aumentando as reservas em dólar do país.
O acordo estimulou o retorno da confiança dos investidores, ajudando Milei a conquistar vitória nas eleições para o Congresso nacional e a desacelerar a disparada do dólar. Isso abriu caminho para a continuidade das reformas econômicas.
Em abril de 2024, o governo havia fechado um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um programa de US$ 20 bilhões em empréstimos, dos quais a primeira parcela de US$ 12 bilhões foi liberada rapidamente. O fundo mantém expectativas quanto à redução da inflação e à melhoria fiscal.
Milei planeja eliminar os controles de capitais, vigentes desde 2019, para facilitar a entrada de dólares na economia e incentivar investimentos. No entanto, a instabilidade recente levou a uma maior intervenção cambial para evitar flutuações bruscas da moeda.
Recentemente, o governo e o Banco Central adotaram medidas monetárias, fiscais e cambiais para ampliar a oferta de dólares, incluindo a permissão para uso de divisas armazenadas fora do sistema financeiro e flexibilização do mercado de títulos públicos.
Além disso, foi anunciado um plano para captar US$ 2 bilhões por meio de emissões de títulos, reduzindo a emissão de moeda nacional pelo Banco Central. Essas iniciativas visam estabilizar a inflação, fortalecer reservas e melhorar o câmbio.
A intervenção no mercado cambial retomada pouco antes das eleições de Buenos Aires reafirma o compromisso do governo com o ajuste fiscal e o controle inflacionário, aspectos essenciais para a continuidade das reformas estruturais em curso.
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Fonte: g1.globo.com
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