O coletivo de rap Ceia Ent., responsável por projetar artistas como Djonga, Tasha & Tracie e Kyan, encerrou suas atividades em 2023 após uma série de polêmicas e disputas judiciais envolvendo direitos autorais e acusações entre ex-integrantes e a ex-gestora do selo, Nicole Balestro. O conflito ganhou nova repercussão em 2024 com troca de músicas de ataque entre os envolvidos.
Criado em 2016 por Don Cesão e Nicole Balestro, o coletivo operava numa estrutura sem contratos formais, estabelecendo acordos verbais para divisão de lucros, com 90% destinado aos artistas e 10% à Ceia. Don Cesão atuava como caça-talentos e rapper, enquanto Nicole cuidava da parte administrativa e burocrática.
Ao longo de três anos, o selo se consolidou como um dos principais nomes do rap nacional, tendo Djonga como destaque, além de promover Tasha & Tracie e Kyan, artistas que ganharam visibilidade em festivais e no mercado publicitário. A produtora também firmou parcerias com marcas como Budweiser, Adidas e Itaú.
O fim da Ceia foi anunciado em março de 2023, após o afastamento de artistas e acusações públicas. Os músicos reivindicavam maior transparência financeira e esclarecimentos sobre seus direitos sobre os fonogramas, enquanto Don Cesão e Nicole afirmavam que as prestações de contas foram feitas, apontando a ausência de contratos como fator complicador.
Djonga, principal nome do coletivo, destacou a falta de estrutura formal para lidar com os direitos autorais e afirmou ter negociado a compra dos direitos de seus dois últimos álbuns na Ceia por volta de R$ 300 mil. Já os direitos dos três primeiros álbuns ficaram vinculados a Don Cesão, que vendeu o catálogo para outro produtor, Rodrigo Oliveira, que repassou as obras a Djonga mediante condições facilitadas.
A disputa judicial envolve quatro processos contra Nicole Balestro, movidos por Djonga, Kyan e as irmãs Tasha & Tracie, todos por crimes contra a honra, calúnia e difamação na esfera criminal e cível. Segundo a ex-gestora, publicada em redes sociais, os artistas ainda deviam valores entre R$ 200 mil e R$ 600 mil, o que foi negado pelos músicos.
Questões específicas também marcam o embate: Nicole relatou que Kyan teria usado um veículo alugado em seu nome, que foi envolvido em um acidente grave; o rapper nega estar na direção. Ela também afirmou ter arcado com uma dívida relacionada a Djonga e com procedimentos estéticos para Tasha e Tracie, o que também foi contestado.
Os processos tramitam em segredo de Justiça, e nenhum deles envolve a gravadora Ceia como pessoa jurídica. No início de 2024, o confronto público se intensificou com o lançamento de músicas com ataques diretos entre Don Cesão e Clara Lima, uma das ex-integrantes.
A trajetória da Ceia inclui inovação em seu modelo de negócio e destaque no rap brasileiro, mas terminou sob disputas jurídicas e controvérsias que permanecem sem resolução definitiva.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

