Economia

Economistas e empresários têm destacado a baixa produtividad

Economistas e empresários têm destacado a baixa produtividad
  • Publishedabril 13, 2026

Economistas e empresários têm destacado a baixa produtividade da economia brasileira como argumento contra o fim da escala 6×1, regime de trabalho em que o empregado cumpre seis dias consecutivos e folga um. O debate intensificou-se em 2024, com a discussão sobre a redução da jornada semanal e seus impactos na produtividade e na economia.

Produtividade do trabalho é a quantidade de bens e serviços que um trabalhador gera em média, considerada fundamental para o crescimento econômico. Ela é calculada dividindo-se o Produto Interno Bruto (PIB) pelo número de trabalhadores ou pelas horas trabalhadas, índice usado para comparar países.

O Brasil ocupa a 86ª posição no ranking mundial de produtividade por hora trabalhada, à frente da China, mas atrás de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, além de países latino-americanos como Chile, Argentina e México. Especialistas apontam fatores como baixa qualificação da mão de obra, infraestrutura insuficiente, ambiente de negócios desfavorável e baixo investimento como causas do desempenho.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que a economia brasileira, baseada principalmente em agricultura, mineração e serviços de baixa complexidade, produz menor valor agregado, o que afeta a produtividade. Apesar disso, dados da Organização Internacional do Trabalho indicam que o brasileiro não trabalha menos que trabalhadores de outras nações, com média semanal de 38,9 horas, superior a países desenvolvidos como Estados Unidos, França e Alemanha.

O economista Daniel Duque, da FGV, analisou o padrão esperado de horas trabalhadas considerando o nível de desenvolvimento e perfil demográfico, e apontou que brasileiros trabalham, em média, 1,2 hora a menos que o esperado. Para ele, não existe um “número certo” de horas a se trabalhar, e as diferenças refletem preferências culturais.

A produtividade é diretamente ligada ao bem-estar, pois influencia o PIB per capita, principal medida da riqueza média da população. Com o envelhecimento da população brasileira, o aumento do número de trabalhadores diminui sua contribuição para o crescimento econômico. Assim, elevar a produtividade individual se torna essencial para a expansão da economia e melhoria da renda.

No debate sobre o fim da escala 6×1, a produtividade tem papel central porque uma redução na jornada de trabalho pode diminuir as horas totais trabalhadas, impactando o PIB e elevando o custo por hora. Um estudo da FGV indicou que a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas poderia reduzir o PIB em até 6,2%, sem ajustamentos na organização do trabalho. O impacto seria menor se a jornada fosse reduzida a 40 horas, proposta atualmente discutida no Congresso.

Outro ponto destacado é que o aumento do custo do trabalho por hora implica necessidade de ganhos de produtividade para evitar impactos negativos, como o aumento da informalidade. Essa ocorre, em parte, pela baixa qualificação e produtividade de parte dos trabalhadores, que não conseguem se inserir formalmente no mercado.

Porém, alguns economistas contestam a centralidade da produtividade no debate. Argumentam que a redução da jornada pode elevar a produtividade, já que trabalhadores com menos horas têm melhor qualidade de vida e menos estresse. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que a jornada de 40 horas semanais representaria um aumento médio de 7,84% no custo do trabalho, valor menor que elevações reais anteriores do salário mínimo, que não geraram os efeitos negativos previstos.

Esses economistas ressaltam que empresas podem adaptar suas organizações, reduzir desperdícios e implementar mudanças tecnológicas para manter ou aumentar a produtividade. Além disso, a maior remuneração por hora trabalhada pode equilibrar o pagamento ao valor gerado pelo trabalhador, desde que o salário atual esteja abaixo da produtividade real.

Casos históricos mostram que reduções na jornada, como o limite de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, não resultaram em aumento do desemprego. A redução também pode beneficiar a vida familiar dos trabalhadores, com impactos positivos para o desenvolvimento das crianças e produtividade futura.

O debate continua aberto, pois, embora a produtividade seja fator importante para o desenvolvimento, ela não resume todos os aspectos da jornada de trabalho. Para alguns especialistas, o fim da escala 6×1 pode reduzir a produtividade total, mas aumentar a produtividade por hora, causando efeito econômico limitado.

Alternativas para aumentar a produtividade brasileira incluem maior abertura comercial, investimentos em educação, reformas tributárias e estabilidade institucional. Economistas avaliam que o receio das empresas sobre perda de produtividade pode estar ligado à percepção de que outros fatores estruturais não serão modificados.

Em resumo, a produtividade está no centro do debate sobre a escala 6×1 devido a seu impacto económico, mas o efeito real da redução da jornada pode variar conforme mudanças na organização do trabalho e preferências sociais. A questão envolve múltiplos aspectos que vão além da simples comparação de horas trabalhadas.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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