Economia

O conflito no Oriente Médio prejudica as exportações

O conflito no Oriente Médio prejudica as exportações
  • Publishedabril 8, 2026

O conflito no Oriente Médio prejudica as exportações de pimenta-do-reino e café do Espírito Santo, gerando dificuldades para os produtores negociarem seus produtos. O impacto ocorre em meio à continuação da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, que tem provocado instabilidade econômica e fechamento do Estreito de Ormuz, rota essencial para o comércio global.

Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para o Oriente Médio, com café representando US$ 119,6 milhões e pimenta-do-reino US$ 56,1 milhões. Até fevereiro de 2026, as exportações para a região somaram US$ 29,2 milhões, um aumento de 34,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, os efeitos do conflito ainda não foram plenamente calculados.

O cessar-fogo anunciado na terça-feira (7) durou menos de 24 horas. O Irã acusou os Estados Unidos de novos ataques, o que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz. Esse estreito é uma das principais rotas do comércio marítimo, e sua intermitente abertura e fechamento têm impactado os custos do transporte e dos insumos, como fertilizantes.

Especialistas afirmam que o cenário permanece instável e pode mudar rapidamente. O analista Marcus Magalhães destacou que a dinâmica da guerra é acelerada e que a breve trégua não garante segurança para os mercados. Ele lembrou que o preço do barril de petróleo variou de US$ 120 para cerca de US$ 93 na mesma semana, e a cotação do dólar chegou a R$ 5,06.

O aumento do preço do petróleo eleva os custos logísticos, afetando diretamente a competitividade dos produtos capixabas no mercado internacional. Além disso, a distância entre os portos do Espírito Santo e o Oriente Médio, que pode chegar a 30 dias, faz com que cargas já embarcadas enfrentem os efeitos da instabilidade.

No setor da pimenta-do-reino, o impacto é mais grave. O Espírito Santo é o maior produtor nacional, com mais de 12 mil propriedades, principalmente no norte do estado. A safra de 2026 está pronta para exportação, mas parte dela encontra dificuldades para ser negociada no mercado habitual do Oriente Médio.

Exportadores buscam novos mercados na Europa, África e Ásia. No entanto, há dificuldade em realocar a produção de menor qualidade, com o Oriente Médio tradicionalmente aceitando padrões diferentes. O exportador Frank Moro observou que adaptar esses produtos a mercados mais rigorosos é um desafio.

O aumento do custo do frete marítimo e do seguro das cargas dificultou ainda mais as operações. Navios precisam evitar áreas de risco, aumentando os valores do transporte. Exportadores afirmam que, dependendo da urgência do cliente, o frete tem sido mais caro ou a mercadoria retorna para o Brasil.

Mesmo com a trégua inicial, o mercado avalia que a instabilidade deve continuar. Qualquer nova escalada do conflito pode elevar os custos e prejudicar novamente o fluxo de exportações do Espírito Santo.

Nesta sexta-feira (10), está prevista uma reunião entre delegações dos Estados Unidos e do Irã em Islamabad, no Paquistão, para tentar negociar o fim definitivo do conflito. O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif atua como mediador.

O Governo do Espírito Santo mantém monitoramento constante dos desdobramentos da guerra e seus efeitos no comércio exterior. A vigilância busca orientar ações diante do cenário internacional volátil e proteger a atividade econômica do estado.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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