Analistas do mercado financeiro elevaram pela quarta semana

Analistas do mercado financeiro elevaram pela quarta semana consecutiva a estimativa para a inflação em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC). A revisão ocorre após a escalada do preço do petróleo, em meio à guerra no Oriente Médio, que possui impacto direto nos preços dos combustíveis no Brasil.
A pesquisa do BC foi realizada na última semana com mais de cem instituições financeiras. Para 2026, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 4,36%, acima dos 4,31% previstos anteriormente. Caso confirmada, a inflação ficará próxima à registrada em 2023, que foi de 4,26%.
As expectativas para os anos seguintes também apontam aumento. Para 2027, a inflação esperada passou de 3,84% para 3,85%. Em 2028, a projeção foi ajustada de 3,57% para 3,60%. Já para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%. Desde 2025, com o sistema de meta contínua, o Banco Central busca manter a inflação em 3%, com margem entre 1,5% e 4,5%.
O aumento das projeções tem relação direta com a alta nos preços internacionais do petróleo, que ultrapassou os US$ 100 por barril nesta segunda-feira (6). O impacto se dá pelo aumento dos custos dos combustíveis, componente relevante para o índice inflacionário nacional.
Mesmo com a alta na estimativa de inflação, o mercado financeiro manteve suas projeções para a trajetória dos juros. A taxa Selic está atualmente em 14,75% ao ano, após o primeiro corte em quase dois anos realizado pelo Banco Central na semana passada. A expectativa para o fim de 2026 é que a Selic atinja 12,50% ao ano, incorporando reduções gradativas no decorrer do ano.
Para 2027, a estimativa para a taxa básica de juros ficou em 10,50% ao ano, e para o fim de 2028, em 10% ao ano, conforme o relatório.
Quanto à atividade econômica, os analistas mantiveram a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,85% para 2026. Em 2023, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2027, a expectativa de crescimento do PIB seguiu em 1,8%. O PIB representa o total de bens e serviços produzidos no país e é indicador chave do desempenho econômico.
A taxa de câmbio também não sofreu alterações nas projeções. O mercado espera que o dólar finalize 2026 cotado a R$ 5,40. Para o encerramento de 2027, a previsão permanece em R$ 5,45.
O monitoramento das expectativas econômicas pelo Boletim Focus complementa as decisões do Banco Central, que ajusta sua política monetária considerando os cenários domésticos e internacionais. O aumento na estimativa de inflação pode influenciar futuras decisões de política monetária e afetar o poder de compra da população, sobretudo grupos com menor capacidade financeira.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com